Tropicalização da regulamentação estrangeira: oportunidades e desafios para o comércio exterior brasileiro

por Jayme Vasconcellos*

A globalização econômica impõe desafios e oportunidades para os países em desenvolvimento, como o Brasil. Nesse contexto, a tropicalização da regulamentação estrangeira surge como uma estratégia para adaptar regras e normas internacionais às necessidades específicas do país.

Mas o que é tropicalização?

A tropicalização da regulamentação estrangeira é a adaptação de regras e normas internacionais para atender às necessidades e características específicas do Brasil. Isso envolve ajustar regulamentações estrangeiras para considerar fatores como diferenças culturais e sociais, realidades econômicas e políticas, condições geográficas e climáticas, infraestrutura e recursos disponíveis.

O objetivo é melhorar a competitividade, aumentar a segurança jurídica e proteger os interesses nacionais. Contudo, tal prática também apresenta desafios, como divergências regulatórias, barreiras comerciais, conformidade internacional e impactos ambientais e sociais.

Influência no comércio exterior de commodities

A tropicalização pode influenciar muito o comércio exterior de commodities brasileiras, como soja, milho, café, açúcar, minério de ferro e petróleo. Por um lado, pode melhorar a competitividade e aumentar a segurança jurídica, atraindo investimentos estrangeiros e facilitando o comércio bilateral. Por outro lado, pode criar divergências regulatórias e barreiras comerciais, comprometendo a conformidade internacional e a reputação do Brasil no comércio global.

Entre os exemplos de tropicalização bem-sucedida podemos citar a adaptação da norma ISO 9001 para o setor de serviços e a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) inspirada na GDPR europeia.

Para minimizar os riscos e maximizar os benefícios, é essencial engajar stakeholders relevantes no processo de tropicalização, manter o diálogo com parceiros comerciais internacionais, garantir a conformidade com os padrões externos, monitorar os impactos ambientais e sociais e, sempre que necessário, ajustar as regulamentações.

Euroconsumers Forum Brasil 2024

Para debater a tropicalização regulatória e seus impactos no Brasil, formuladores de políticas públicas, lideranças de empresas globais, dirigentes de organizações de proteção ao consumo e acadêmicos participaram, em Brasília, do Euroconsumers Forum Brasil 2024.

Segundo a organização do encontro, “a legislação que regula empresas, trabalhadores e consumidores no Brasil reflete modelos internacionais, como os europeus e norte-americanos, que nem sempre são plenamente compatíveis com a complexidade e as particularidades do nosso país. Dada a extensão continental do Brasil, a diversidade socioeconômica e as dinâmicas próprias de um mercado emergente, surge a necessidade de uma tropicalização dessas normativas”.

Euroconsumers Forum Brasil 2024 (Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios)

O evento também abordou o papel das regulamentações no avanço do mercado digital. Empresas como Zetta, Meta, PicPay, Stone, Shein, Mercado Livre e Google participaram do debate, compartilhando suas experiências e perspectivas sobre as oportunidades e os desafios da regulação nesse setor. A discussão sobre a proteção dos dados pessoais, a privacidade e a concorrência no ambiente digital também foi destaque.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Comunicação e Marketing, é editor-chefe do Agricultura e Negócios. Autor do livro digital “Liderança: desvendando os segredos para inspirar e conduzir no século XXI”.

Safra 2024/2025 de milho no Brasil: produtividade e o manejo integrado serão essenciais para o sucesso do agricultor

A safra 2024/2025 de milho tem o potencial de ser uma das mais vantajosas para os agricultores brasileiros, com indicadores positivos tanto em termos de preços quanto de benefícios agronômicos. Segundo dados da StoneX, a produção da segunda safra de milho deverá representar mais de 75% da produção total de milho do Brasil na temporada 2024/2025, estimada em 101,5 milhões de toneladas. Isso é reflexo do aumento de 0,8% na área plantada e da recuperação significativa da produtividade, destacando a importância da safrinha para o agronegócio nacional.

Com a demanda interna aquecida e o mercado externo favorável, os preços do milho têm se mantido elevados, com médias superiores a R$ 70,00 por saco de 60 kg. Esse cenário representa uma oportunidade para os agricultores diversificarem suas fontes de receita e fortalecerem o fluxo de caixa, especialmente após a colheita da soja. Além de ser uma cultura de ciclo curto e alta rentabilidade, o milho 2ª safra se configura como uma estratégia fundamental para aumentar a lucratividade das propriedades rurais, oferecendo um complemento significativo ao orçamento e garantindo maior segurança financeira. O cultivo de milho na segunda safra também traz benefícios agronômicos, como o melhor aproveitamento do solo, a rotação de culturas e a recuperação de nutrientes, o que contribui para uma produção mais sustentável e de longo prazo.

Apesar do cenário promissor, os agricultores devem estar atentos aos desafios que podem impactar a produtividade. Entre eles estão as infestações por plantas daninhas resistentes, como o Amendoim-bravo, Capim-pé-de-galinha, Capim Amargoso, Corda-de-viola, Picão-preto, Soja Tiguera e Trapoeraba, além da crescente presença de insetos como a Cigarrinha-do-milho e o Percevejo barriga-verde. A competição das plantas daninhas por nutrientes, água e luz pode resultar em perdas de até 80% na produtividade, caso o controle não seja eficiente. Já a Cigarrinha-do-milho pode reduzir a produção em até 70% nas plantas suscetíveis, enquanto o Percevejo barriga-verde pode gerar perdas significativas que comprometem tanto a produtividade quanto a rentabilidade da cultura.

O engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, Valdumiro Garcia, destaca a importância de um manejo eficiente, explicando que, para uma produtividade de 100 sacos por hectare, uma perda de 10% é devido à matocompetição, o que resultaria em uma redução de 10 sacos. “Em um cenário em que a produtividade impacta diretamente na rentabilidade do cultivo, o manejo adequado das plantas daninhas e de insetos não é apenas uma questão de produtividade, mas um pilar essencial para garantir a segurança alimentar e a competitividade do Brasil, assegurando o papel fundamental do milho na economia nacional e global”, afirma.

Resistência: um desafio crescente no controle

As plantas daninhas são uma ameaça crescente para a produção de milho no Brasil. No entanto, o seu controle tem se tornado cada vez mais difícil com o uso de herbicidas tradicionais, como glifosato e atrazina, diante da resistência que essas espécies desenvolveram ao longo dos anos de aplicação dos produtos.

Com o avanço das tecnologias, os agricultores têm à disposição ferramentas mais eficazes para enfrentar os desafios da safra 2024/2025. No portfólio da IHARA, destaca-se o APICE, um herbicida pós-emergente com eficácia comprovada no controle de plantas daninhas de difícil controle como o Capim-pé-de-galinha e Capim Amargoso. Com uma tecnologia exclusiva, oferece um amplo espectro de controle de gramíneas e folhas largas, e sua formulação pronta para uso elimina a necessidade de mistura, garantindo praticidade e eficiência na aplicação.

Para o controle de plantas daninhas como Amendoim-bravo, Corda-de-viola, Picão-preto e Trapoeraba, o agricultor pode contar com o SONDA HT, um produto inovador com ação de contato nas plantas e sistêmica via raiz. Esse produto não requer a adição de óleo na aplicação e oferece amplo espectro de controle. Além de agir no pós-emergência das plantas daninhas, essa tecnologia proporciona um efeito também pré-emergente com maior residual, ampliando o período de controle e aumentando a produtividade do milho.

A combinação de herbicidas pré-emergentes, que impedem a germinação das sementes das plantas daninhas, com os pós-emergentes, que atuam nas plantas já em crescimento, permite um controle mais eficaz e sustentável das espécies invasoras, além de minimizar o risco de desenvolvimento de resistência aos produtos fitossanitários.

Além do controle de plantas daninhas, o manejo integrado de insetos é essencial para proteger a produtividade do milho. O uso de ZEUS, um inseticida da IHARA, tem mostrado resultados comprovados no controle da Cigarrinha-do-milho. Essa tecnologia age por contato e ingestão, oferecendo um efeito de choque e ação residual única, garantindo proteção completa das plantas.

A sustentabilidade da produção agrícola brasileira depende da implementação de boas práticas de manejo, considerando o histórico de infestação das áreas e a resistência das plantas daninhas e insetos nas últimas safras. “A busca por soluções cada vez mais eficientes e sustentáveis no controle de plantas daninhas e insetos será crucial para que a agricultura brasileira continue a crescer de forma sólida e competitiva”, conclui Garcia.

Sobre a IHARA: A IHARA é uma empresa de pesquisa e desenvolvimento que há 59 anos leva soluções para a agricultura brasileira, setor no qual é reconhecida como fonte de inovação e tecnologia japonesa como uma marca que tem a credibilidade e a confiança dos seus clientes. A empresa conta com um portfólio completo de fungicidas, herbicidas, inseticidas, biológicos, acaricidas e produtos especiais somando mais de 80 soluções que contribuem para a proteção de mais de 100 diferentes tipos de cultivos, colaborando para que os agricultores possam produzir cada vez mais alimentos, com mais qualidade e de forma sustentável. Em 2022, a IHARA ingressou no segmento de pastagem, oferecendo soluções inovadoras para o pecuarista brasileiro. Para mais informações, acesse o site da IHARA

Economia: inflação em alta e déficit nas contas públicas

com informações da Agência Brasil

As expectativas do mercado financeiro relacionadas a inflação e câmbio estão em alta. Já as relativas ao Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa básica de juros (Selic) permanecem estáveis, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (11/11) pelo Banco Central.

No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), considerado a inflação oficial do país, o boletim apresenta expectativas de alta há seis semanas, chegando a 4,62% para o fechamento de 2024. Há uma semana, a expectativa era de que o ano fecharia com uma inflação de 4,59%. Há quatro semanas, a previsão era 4,39%.

Para 2025, as expectativas apresentadas no boletim semanal é de que o ano feche com uma inflação de 4,1%, acima das projeções apresentadas nas últimas quatro semanas, que variaram de 3,96% a 4,03%. O mercado projeta, para 2026, que o ano fechará com um IPCA de 3,65%. É a segunda semana seguida de alta.

A estimativa para 2024 mantém-se acima do teto da meta de inflação a ser perseguida pela autoridade monetária, de 3% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Câmbio e PIB: As expectativas relacionadas ao valor do dólar aumentaram pela quarta semana consecutiva, chegando a R$ 5,55. Há uma semana, o mercado financeiro projetava que a moeda norte-americana fecharia 2024 custando R$ 5,50; e há quatro semanas, R$ 5,40. Para os anos subsequentes, o mercado projeta que o dólar fechará cotado a R$ 5,48 em 2025; e R$ 5,40 em 2026.

As previsões para o crescimento do país permanecem estáveis, o que era de certa forma esperado, uma vez que já estamos em novembro. Com isso, o mercado financeiro mantém em 3,10% as expectativas de crescimento do PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país. Para 2025 e 2026, as expectativas são de crescimento de 1,94% e 2%, respectivamente.

Selic: Também se mantém estável as expectativas do mercado financeiro para a taxa básica de juros (Selic) ao final do ano, em 11,75%. Este percentual tem se mantido estável há seis semanas consecutivas. Para 2025, é esperado que o ano feche com uma Selic de 11,5%; e para 2026, em 10%.

Déficit nas contas públicas: As contas públicas fecharam o mês de setembro com saldo negativo, resultado do déficit em todas as esferas: Governo Central, governos regionais e empresas estatais. O setor público consolidado – formado pela União, pelos estados, municípios e empresas estatais – registrou déficit primário de R$ 7,340 bilhões no mês de setembro.

As Estatísticas Fiscais foram divulgadas pelo Banco Central. O déficit primário representa o resultado negativo das contas do setor público (despesas menos receitas), desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.

No acumulado do ano, o setor público consolidado registra déficit primário de R$ 93,561 bilhões. Em 12 meses – encerrados em setembro – as contas acumulam o resultado negativo de R$ 245,605 bilhões, o que corresponde a 2,15% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Em 2023, as contas públicas fecharam o ano com déficit primário de R$ 249,124 bilhões, 2,29% do PIB.

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Painel Telebrasil 2024 premia projetos inovadores em agronegócio, saúde e gestão pública

As equipes vencedoras dos prêmios AgroInova, SaúdeInova e Gov.Inova foram premiadas durante o encerramento do Painel Telebrasil 2024. O prêmio é uma parceria da Telebrasil com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e a Confederação Nacional da Tecnologia da Informação e Comunicação.

A proposta é valorizar projetos de extensão ou pesquisa elaborados por professores e alunos da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que contribuam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas em três áreas de atuação: agronegócio, saúde e gestão pública.

No AgroInova, o primeiro colocado foi o projeto LARAS, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso, que foi criado por alunos e utiliza inteligência artificial para melhorar a eficiência do planejamento de rotas de drones no combate às formigas cortadeiras. Eles também ganharam o prêmio destaque na votação entre os participantes do Painel Telebrasil.

O primeiro colocado no prêmio SaúdeInova foi o IOT Hospitalar. Nele, a equipe do Instituto Federal de Pernambuco propõe uma plataforma de monitoramento baseada em IoT e computação em nuvem para aprimorar segurança e bem-estar de ambientes hospitalares.  Eles também venceram o prêmio destaque do SaúdeInova.

E no Gov.Inova o projeto que venceu a premiação foi o SIGESTur. O projeto do Instituto Federal de São Paulo é um sistema de gestão de destinos turísticos que pode ser aplicado por órgãos governamentais, prefeituras e governos estaduais. Na categoria Gov.Inova, o prêmio destaque, eleito pelo público do Painel, foi para o Microverdes: Riqueza Mineral. Desenvolvido no Instituto Federal de Santa Catarina, o projeto aborda técnicas laboratoriais que ajudam no planejamento de práticas agrícolas urbanas sustentáveis com o projeto de análise da composição mineral dos microverdes.

Foto: Jayme Vasconcellos / Vasconcellos & Associados

CNA reúne especialistas para tratar do potencial da agroenergia no país

com informações da CNA

 O evento Agroenergia: Transição Energética Sustentável – Edição Etanol, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com o apoio do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas, reuniu especialistas para debater o potencial da agroenergia no país e a produção de etanol a partir de fontes consolidadas e emergentes.

Ao discursar na abertura, o vice-presidente da CNA, José Mário Schreiner, afirmou que o agro é o “grande ator e colaborador da transição energética no país”. “Somos protagonistas na temática, com uma significativa participação de mais de 49% de fontes renováveis de energia, como hidráulica, solar, eólica e biomassa. No entanto, é nosso desafio transformar essa matriz em um modelo ainda mais eficiente, capaz de atender às necessidades atuais e futuras”, afirmou.

Segundo Schreiner, o agro, que tradicionalmente é visto como a base da segurança alimentar mundial, se destaca também como uma peça-chave na construção de um cenário energético mais sustentável. “Através de pesquisa e desenvolvimento, estamos transformando nossos campos em verdadeiras usinas de energia, sem competir de maneira alguma com a oferta de alimentos”, disse o dirigente.

A palestra magna “Potencial da Agroenergia: Transformando a realidade energética do Brasil” foi feita pelo professor e pesquisador do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luciano Rodrigues. Durante sua apresentação, Rodrigues mostrou um panorama da evolução da produção, oferta e diversificação das fontes de energias renováveis no Brasil. “A produção cresceu e temos agora um novo momento de expansão com a produção de etanol de milho, que inclusive está indo para áreas onde a cana-de-açúcar não tem aptidão. Isso faz com a gente diversifique a matéria-prima no campo”, explicou.

Segundo ele, essa diversificação tem trazido robustez para a oferta de combustíveis renováveis. “Isso vai fazer com que o diferencial de preço do etanol entre os estados seja única e exclusivamente pelo diferencial de custo e transporte”, destacou o especialista.

Cana e milho – O primeiro painel tratou dos avanços tecnológicos e as perspectivas para o futuro energético com foco no etanol de cana e milho. O debate reuniu o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Caio Carvalho; a gerente de Inteligência de Mercado da BP Bionergy, Luciana Torrezan; e o diretor de Sustentabilidade da Inpasa, Christopher Davies Junior.

Luciana apresentou a BP Bionergy, empresa que reúne 11 usinas em cinco estados brasileiros e falou sobre a produção de etanol tanto de cana-de-açúcar quanto de milho nos últimos dez anos. “Precisamos de um crescimento de produção de etanol total com mais eficiência e com maior sustentabilidade. Utilizamos a agricultura regenerativa e tecnologias no campo. Estamos substituindo os produtos químicos pelos biológicos e temos ganho de produtividade, redução de custos, mesmo com adversidades climáticas e longevidade do canavial. Além disso, temos o campo monitorado para prevenção de incêndios”.

Sobre a expansão do setor, o representante da Inpasa destacou o aumento da produção com base na produção de grãos de 2ª safra. “O Brasil tem um grande potencial de expansão de produção de grãos de segunda safra e também na utilização de pastagens degradadas. Temos o potencial de termos 155 milhões de toneladas adicionais, mais que o dobro do que temos hoje”, afirmou Davies Junior.

Já Caio Carvalho falou sobre os biocombustíveis do ponto de vista do produtor rural brasileiro. “O ritmo Brasil do agro é de um país protagonista e líder na bioeconomia. Os biocombustíveis fazem parte de uma pauta de convergência. O milho e a cana-de-açúcar são emblemáticos e têm um grande potencial”, disse.

Trigo, agave e sorgo – Já o segundo painel tratou das novas fronteiras e fontes emergentes de etanol e seus potenciais, como trigo, sorgo e agave. O diretor de Transição Energética da B&8, Camilo Adas, apresentou a empresa e explicou o projeto de transformar a matriz energética com a produção de etanol a partir de cereais como o trigo. Segundo ele, a ideia é fazer a coleta de matérias-primas localmente, com foco em práticas que minimizem a emissão de CO2.

O pesquisador e professor da Unicamp, Gonçalo Pereira, afirmou que, em um cenário global marcado por desafios climáticos e desigualdade, acontece uma verdadeira revolução no setor energético brasileiro com foco na utilização do agave. “A transformação da matriz energética é uma questão de urgência e oportunidade, principalmente para o sertão brasileiro”, disse. A proposta apresentada por Pereira gira em torno do potencial do agave, uma planta do semiárido com amplo potencial para a produção de biocombustíveis.

Já o presidente da cooperativa alagoana Pindorama, Klécios Santos, apresentou os dados do sorgo no Brasil e mostrou o trabalho de transição que está ocorrendo com a instalação de uma usina de etanol produzido a partir do sorgo. Ele destacou o grande potencial da região e disse que está ocorrendo um verdadeiro estímulo em todo o estado de Alagoas para o aumento da produção de sorgo. “Nos encaixamos no momento certo com a geração de energia renovável e fazer uma verdadeira transformação na região”, afirmou.

Evento na CNA debate potencial da agroenergia no país (Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios)

Eleições nos EUA: Trump e o agronegócio brasileiro

A vitória de Trump nas eleições americanas pode ter um impacto significativo no agronegócio brasileiro. Durante seu primeiro mandato, a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China beneficiou o Brasil, que aumentou suas exportações para os chineses, especialmente de soja. Com a guerra comercial entre os EUA e a China, o Brasil pode continuar a se beneficiar da demanda chinesa por produtos agrícolas.

Entre as principais áreas que podem ser impactadas com a vitória do republicano, podemos citar:

– Comércio internacional: a política comercial de Trump pode influenciar as exportações brasileiras para os EUA e outros países

– Preços globais: a política agrícola dos EUA pode afetar os preços globais de commodities agrícolas, como soja e milho

– Investimentos: a estabilidade política nos EUA pode atrair investimentos em agricultura no Brasil

Além disso, é importante notar que a política de Trump pode ser mais protecionista, o que pode afetar negativamente as exportações brasileiras para os EUA. No entanto, especialistas acreditam que o Brasil pode continuar a se beneficiar da demanda chinesa por produtos agrícolas.

Discurso da vitória

No discurso da vitória, Trump agradeceu a todo o público pelo apoio e pelos votos, e ressaltou que “esse foi o maior movimento político, nunca antes visto na história deste país”.

Trump prometeu, ainda, lutar por toda a América. “Para todos os cidadãos, lutarei por você, por sua família, com cada fibra do meu corpo, até que tenhamos a América que queremos, teremos a era de ouro dos EUA, que nos permitirá tornar a América grande novamente”, disse ele.

Foto: Reprodução / Internet

Eleições nos EUA: resultado pode afetar agronegócio brasileiro

O resultado da eleição americana pode ter um impacto significativo na agricultura brasileira. Um dos principais fatores é o comércio internacional. O presidente dos Estados Unidos tem grande influência nas políticas comerciais, incluindo acordos e tarifas alfandegárias. Mudanças nessas políticas podem afetar as exportações brasileiras de produtos agrícolas, como soja e milho, para os EUA.

Além disso, a política agrícola norte-americana pode influenciar os preços globais de commodities agrícolas. Se o governo americano implementar políticas protecionistas, pode reduzir a demanda por produtos do Brasil, afetando a renda dos agricultores brasileiros.

Principais áreas de impacto:

– Comércio internacional: mudanças nas políticas comerciais dos EUA podem afetar as exportações brasileiras de produtos agrícolas

– Preços globais: políticas agrícolas dos EUA podem influenciar os preços globais de commodities agrícolas

– Investimentos: a estabilidade política nos EUA pode atrair investimentos no setor agrícola no Brasil

É importante notar que o impacto exato da eleição americana na agricultura brasileira dependerá das políticas específicas implementadas pelo novo governo. Portanto, é fundamental monitorar as decisões políticas nos Estados Unidos e suas implicações para o setor agrícola brasileiro.

Foto: Reprodução / Internet

Liderança no século XXI: desvende os segredos para inspirar equipes e alcançar o sucesso

O e-book “Liderança: desvendando os segredos para inspirar e conduzir no século XXI“, escrito pelo jornalista Jayme Vasconcellos, editor-chefe do Agricultura e Negócios, é um guia para quem busca aprimorar suas habilidades de liderança. A obra, que acaba de ser lançada, aborda a importância da liderança em um mundo cada vez mais complexo e incerto.

O livro explora diversos conceitos da liderança, como a importância da comunicação eficaz, a capacidade de motivar equipes, a tomada de decisões assertivas e a inteligência emocional. “Em um cenário global marcado por mudanças dinâmicas, a liderança se torna cada vez mais essencial para alcançarmos resultados expressivos”, afirma Vasconcellos.

De acordo com Pedro Almeida, psicólogo organizacional e coach executivo, “a inteligência emocional é a base de uma liderança eficaz. Um líder precisa ser capaz de compreender as emoções próprias e dos outros, construir relacionamentos sólidos e criar um ambiente de trabalho positivo e colaborativo. A empatia e a autoconsciência são habilidades essenciais para qualquer líder”.

A publicação destaca, também, que a liderança não se limita ao ambiente corporativo, mas permeia todos os aspectos da vida, desde as relações pessoais até a esfera política. “Ser um líder eficaz não se resume a ocupar um cargo de autoridade. Envolve desenvolver habilidades essenciais, cultivar valores positivos e adotar comportamentos que inspirem confiança e admiração”, explica Vasconcellos.

Segundo a professora Ana Carolina Silva, especialista em comportamento organizacional, “a liderança do século XXI exige mais do que apenas conhecimento técnico. É preciso ser capaz de se adaptar rapidamente às mudanças, fomentar a inovação e inspirar as equipes a pensarem fora da caixa. A verdadeira liderança é sobre criar um futuro melhor, não apenas gerenciar o presente”.

O livro apresenta ainda uma reflexão sobre os desafios da liderança no século XXI, como a necessidade de se adaptar a um mundo cada vez mais digital e a importância da diversidade e da inclusão. “Líderes engajados em causas relevantes mobilizam comunidades, promovem o diálogo e defendem os direitos das minorias, contribuindo para a construção de uma sociedade mais coesa e equitativa”, ressalta o autor.

Para Maria Eduarda Santos, consultora em desenvolvimento organizacional e palestrante, “as pessoas não trabalham apenas por dinheiro, mas por um propósito maior. O papel do líder é conectar os colaboradores a um propósito que transcenda o individual, criando um sentido de pertencimento e engajamento. Quando as pessoas se sentem parte de algo maior, elas entregam resultados extraordinários”.  

Com uma linguagem clara e acessível, o e-book “Liderança: desvendando os segredos para inspirar e conduzir no século XXI” se apresenta como uma ferramenta indispensável para aqueles que desejam desenvolver suas habilidades de liderança e construir um futuro mais promissor.

Onde encontrar o e-book: a publicação está disponível em formato digital. Clique aqui.

Sobre o autor: Jayme Vasconcellos é jornalista, radialista e fotógrafo. Com passagens pelo SBT, RecordTV e TV Justiça, atualmente trabalha na TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação. Ocupou os cargos de coordenador de produção, de reportagem e de edição, além da gerência da TV NBR/EBC e, entre 2019 e 2021, exerceu o cargo de ouvidor adjunto da empresa. É editor-chefe do site Agricultura e Negócios e CEO da Vasconcellos & Associados, empresa de marketing e comunicação. Também é técnico em agronegócio, professor de Inglês e instrutor de Atendimento Pré-Hospitalar.

Graduado em Comunicação Social e cursando atualmente uma pós-graduação em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, tem no currículo especializações em Educação a Distância e em Artes Visuais, e um MBA em Comunicação e Marketing.

É integrante do Movimento Escoteiro desde 1996, tendo conquistado o título de “Escoteiro da Pátria”. Recebeu, ainda, a Medalha Exército Brasileiro, pela produção da série televisiva “Soldados de Caxias”, exibida em 2022 na TV Brasil.

Dia Mundial da Alimentação: Brasil precisa de infraestrutura, tecnologia e conscientização para evitar perda de alimentos

por Rafael Gois*

Você já se perguntou como o Brasil pode superar desafios como a infraestrutura deficiente e desastres naturais, ao mesmo tempo em que promove um desenvolvimento econômico, social e ambiental equilibrado?

Uma pesquisa recente realizada pela Globo Rural, com 200 executivos entrevistados, mostrou que 41,5% apontaram a logística e a cadeia de distribuição como as principais preocupações da indústria de agronegócio. Esse dado revela a urgência de modernizar nossa infraestrutura e repensar nossos métodos para evitar grandes perdas de alimentos e melhorar a eficiência.

Segundo o relatório Índice de Desperdício de Alimentos 2024, da ONU, a cadeia de produção de alimentos mundial desperdiçou 1 bilhão de refeições por dia em 2022. No Brasil, a ineficiência dos transportes contribui significativamente para esse problema. Rodovias ruins, inexistência de ferrovias e portos congestionados dificultam o escoamento da produção agrícola e pecuária, resultando em desperdício e prejuízos.

Como podemos superar essas barreiras? A solução passa por investimentos maciços na modernização e expansão das redes de transporte existentes, com ênfase nos modais ferroviário e fluvial. Além disso, é fundamental aumentar a capacidade de armazenamento, especialmente para pequenos e médios agricultores. Sem manutenção adequada, muitas instalações enfrentam problemas como vazamentos e controle inadequado de temperatura, aumentando o desperdício.

A modernização das operações agrícolas é crucial. A adoção de tecnologias avançadas, como agricultura de precisão, uso de drones, inteligência artificial e sistemas de irrigação com eficiência energética de fontes limpas, pode aumentar a produtividade e reduzir o desperdício ao longo da cadeia produtiva. No entanto, isso não basta. Devemos também encontrar um equilíbrio entre os custos de produção e a lucratividade, adotando novas tecnologias e conhecimento técnico para aumentar a eficiência.

No aspecto social, o trabalho é mais de longo prazo. Além do fortalecimento das comunidades rurais, investimentos em educação e capacitação técnica, é necessário desenvolver linhas de crédito capazes de financiar máquinas, equipamentos e produção, que sejam capazes de gerir o ciclo inteiro. Isso garante a alocação do recurso no momento certo, protegendo tanto o pequeno produtor quanto o credor.

No campo ambiental, a adoção de práticas agrícolas sustentáveis é essencial. Essas práticas são vitais para o nosso futuro, e as soluções para alcançar a neutralidade de carbono são inúmeras. No entanto, para avançarmos de forma significativa, é crucial regularizar o mercado de crédito de carbono. A criação de um mercado regulado e auditado é fundamental para evitar fraudes, que infelizmente são comuns. Acredito que uma bolsa, como a de mercadorias e futuros, seja capaz de auditar e comercializar esses ativos com transparência, garantindo a integridade e eficácia do mercado de crédito de carbono.

Agora, gostaria de trazer um exemplo prático, que ilustra a importância de estarmos preparados para enfrentar desastres naturais e como isso se relaciona com o desenvolvimento sustentável. Recentemente, o estado do Rio Grande do Sul sofreu uma tragédia devastadora. Esse evento não apenas impactou milhares de vidas, mas também destacou a fragilidade de nossa infraestrutura e a necessidade de um plano de resposta rápida e coordenada.

Como podemos salvar vidas, reconstruir histórias e garantir a subsistência dos produtores locais em situações como essa? Investimentos em infraestrutura local de reconstrução, que priorizem as pessoas afetadas e garantam o escoamento eficiente da produção, são essenciais. Precisamos de uma abordagem que combine resiliência e sustentabilidade para que possamos enfrentar esses desafios de forma eficaz.

Por fim, é primordial unir esforços com governos e partes interessadas para financiar uma produção agrícola limpa e sustentável. Devemos trabalhar juntos para transformar o Brasil em um exemplo de desenvolvimento integrado, equilibrando as necessidades econômicas, sociais e ambientais, e garantindo um futuro próspero e resiliente para todos.

Sobre o Dia Mundial da Alimentação: Criado em 1981, em homenagem à fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Dia Mundial da Alimentação promove o debate sobre a segurança alimentar. A estimativa da ONU é que cerca de 780 milhões de pessoas passam fome em todo o mundo. Esse debate inclui a garantia de que todas as pessoas tenham acesso a alimentos nutritivos e de qualidade, em quantidades suficientes, abordando questões desnutrição e sistemas de produção alimentar mais resilientes, dado o cenário da mudança climática.

*CEO do Grupo Fictor, holding de participação e investimentos especializada na gestão de empresas no mercado de private equity e que atua nos setores de alimentos, serviços financeiros, desenvolvimento imobiliário e energia.

O poder do algodão na América Latina

O cultivo do algodão é parte da identidade da América Latina. Indígenas do povo Pijao, na Colômbia, têm a fibra no DNA. A agricultora Elisa Pietro, por exemplo, conta que o algodão abre caminho para que mulheres consigam sustentar suas famílias. “A produção nos permite ter liderança e ganhar dinheiro”, ensina Elisa. 

Em grandes cidades, colombianas que trabalham em confecções também colhem os frutos do cultivo. “Graças ao algodão, podemos levar nossos filhos e nossas famílias em frente”, diz a operária Zoraida Cárdenas. 

O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, viajou das áreas desérticas ao litoral da Colômbia para mostrar como funciona o projeto que busca fortalecer a cadeia do produto na América Latina.

Projeto + Algodão

A terra natal da Zoraida e da Elisa é um dos principais pólos do programa que tenta fortalecer a cadeia produtiva na região. Liderado pelo Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Itamaraty, e em parceria com a Embrapa e a Empaer-PB, o “Projeto + Algodão” envolve sete países – Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Haiti, Paraguai e Peru – e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). 

Conhecido como “ouro branco”, o algodão – cujo dia mundial é celebrado em 7 de outubro – gera renda e emprego principalmente nas pequenas propriedades. “A maioria das pessoas que fazem parte do projeto de cooperação são agricultores familiares”, afirma o diretor de Assistência Técnica da Empaer-PB (Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária), Jefferson Morais.

Por meio desse programa, populações vulneráveis recebem sementes e fios de graça, mulheres estão sendo preparadas para empreender e técnicas que respeitam o meio ambiente têm sido compartilhadas. Uma das dúvidas mais comuns é estimular o cultivo nos países vizinhos, em vez de aplicar todos os recursos em solo brasileiro.

“A extensão da produção para outros países, que têm outros climas e outras situações geográficas, pode, se nós enfrentarmos uma dificuldade, equilibrar o mercado brasileiro”, explica o embaixador do Brasil na Colômbia, Paulo Estivallet de Mesquita. O embaixador também se recorda que o Brasil “superou uma crise terrível nos anos 1980 e 1990 para se tornar o maior exportador mundial do produto”.

Ranking 

O Brasil é o maior produtor de algodão sustentável e o terceiro maior produtor de algodão tradicional. Só China e Índia têm mais cultivo. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão e da Textile Exchange, uma organização internacional sem fins lucrativos que tem foco na sustentabilidade.