Distribuição de insumos: cautela nos investimentos e diversificação são a chave para crescer em 2025

Após um ano desafiador, algumas empresas de distribuição de insumos agropecuários olham com otimismo para as possibilidades de crescimento em 2025 diante das projeções de safra recorde.

A Fex Agro é um exemplo. A distribuidora de insumos agrícolas com sede em Primavera do Leste (MT) encerrou 2024 com faturamento de R$ 139 milhões (queda de 8,7% na comparação com o ano anterior), mas projeta um crescimento de 62% em 2025, alcançando R$ 225 milhões. “O mercado exige adaptação constante e planejamento. Estamos preparados para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgem, sempre com foco na segurança financeira dos nossos parceiros”, afirma Daniel Barbosa, CEO da empresa.

A expectativa se baseia em uma estratégia de diversificação que, em 2024, resultou em 60% da receita vinda dos insumos para lavoura, 30% de ingredientes de nutrição animal e 10% de grãos e óleo vegetal. “Essa diversificação nos dá uma vantagem competitiva, pois equilibramos os ciclos de recebimento. Nutrição animal tem um ciclo financeiro de 30 dias, enquanto os insumos agrícolas chegam a 180 dias. Este mix de produtos nos garante um fluxo de caixa mais saudável”, explica Barbosa.

Além de crescer no setor, a Fex Agro também está expandindo presença no território nacional. A empresa planeja abrir uma nova unidade em Minas Gerais focada em nutrição animal, e tem prospectado novas frentes de negócio, como a comercialização de insumos para as culturas de gergelim e amendoim.

Cautela

Apesar do pior momento ter ficado para trás, a Fex Agro inicia 2025 com um olhar atento às oportunidades sem se esquecer do risco. Embora as previsões da Conab para a safra 2024/25 tragam otimismo, a empresa reforça que o caminho para um ano bem-sucedido passa pela cautela. “2024 foi marcado por desafios financeiros significativos. O agronegócio brasileiro enfrentou margens apertadas tanto na lavoura quanto na pecuária de corte, enquanto o mercado interno de soja viu preços atípicos que impactaram a receita dos sojicultores, ampliando as incertezas no setor”, avalia o executivo.

Foto: Divulgação

Entenda a importância da lubrificação correta de máquinas e equipamentos agrícolas

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, atualmente, cerca de 67% das propriedades rurais do país fazem uso de maquinário agrícola para automatizar atividades de cultivo e colheita. Desse total, 43% dos produtores rurais veem os equipamentos como alvo de investimento recorrente, de modo a evitar pausas causadas por problemas técnicos e a manter a agilidade nos processos automatizados. Nessa dinâmica, o papel da lubrificação de sistemas mecânicos ganha destaque enquanto método fundamental de manutenção preventiva.

A falta de lubrificação e a adição de óleo de modo inadequado ao equipamento estão entre os principais fatores de impacto negativo sobre os maquinários agrícolas, podendo influenciar desde o desempenho até a vida útil dos materiais e os custos operacionais da produção rural. Nesse cenário, Renata Vitiello, Coordenadora de Marketing B2B dos lubrificantes Mobil™, ressalta que, atualmente, os produtores têm estado cada vez mais cientes sobre a necessidade de lubrificação de peças, mas muitas vezes não conhecem todas as áreas dos equipamentos que demandam a ação dos lubrificantes e não sabem que há diversas opções para melhor atender as necessidades do maquinário.

“Em uma colhedora de cana de açúcar, por exemplo, a lubrificação deve ser feita no motor, na caixa de engrenagens do cortador da base, no sistema de arrefecimento, na caixa de engrenagens do acionamento de bombas, na caixa de engrenagens do picador rotativo, nas reduções finais e no sistema hidráulico, além da lubrificação geral à graxa. Para isso, os lubrificantes Mobil™ disponibilizam 16 alternativas de produtos capazes de otimizar a operação desses sistemas, cada um à sua maneira. Já em uma colheitadeira de soja, os sistemas correspondem a reduções finais, freio hidráulico, sistema de arrefecimento, sistema conjugado, correntes e motor, além de lubrificação geral à graxa. Nesse caso, há outras 20 variações de lubrificantes para responder às demandas específicas dos produtores de modo otimizado. Com um mercado tão amplo, permeado de alternativas que correspondem a diferentes especificidades, é essencial contar com produtos de confiança e com marcas que esclareçam o potencial que esses materiais possuem”, afirma a especialista.

Especialista da Mobil™ destaca as principais consequências da lubrificação incorreta e dá dicas para otimizar o processo (Foto: Divulgação)

Conforme destaca Vitiello, o desconhecimento sobre os sistemas que demandam lubrificação e sobre quais as melhores opções é um dos principais fatores de uso incorreto dos produtos. Ciente sobre esse cenário, a marca de lubrificantes Mobil™ desenvolveu um material explicativo gratuito para apoiar os produtores rurais  na identificação das zonas de lubrificação e na escolha dos óleos mais alinhados a suas necessidades.

Principais consequências da ausência de lubrificação adequada

Para evitar erros que prejudiquem o maquinário agrícola, é importante que haja o estabelecimento de um plano de lubrificação, que abranja os tipos de equipamento, a quantidade de componentes, a frequência de troca, o tipo de lubrificante e as orientações do fabricante. Confira as possíveis consequências a processos de lubrificação incorretos:

Desgaste prematuro: sem a lubrificação correta, o atrito entre as peças aumenta, acelerando o desgaste de rolamentos, engrenagens, eixos e outros componentes. Isso pode reduzir significativamente a vida útil das peças e do maquinário.

Superaquecimento: a falta de lubrificação ou o uso de um lubrificante inadequado pode gerar aquecimento excessivo, o que pode danificar componentes sensíveis, causar deformações e até resultar em falhas mecânicas graves.

Corrosão: certos lubrificantes também ajudam a proteger contra a corrosão. Quando mal aplicados ou ausentes, as superfícies metálicas ficam expostas à umidade e outros contaminantes, acelerando o processo de oxidação e corrosão.

Aumento de consumo de energia: o atrito excessivo entre as partes móveis, causado pela falta de lubrificação, exige mais força para o funcionamento, o que aumenta o consumo de combustível e energia.

Falhas e quebras: a falta de lubrificação aumenta a probabilidade de falhas catastróficas no maquinário, levando a quebras inesperadas, que podem paralisar as operações e gerar perdas significativas.

BNDES disponibiliza mais R$ 4,8 bilhões para programas do Plano Safra 2024-25

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou mais R$ 4,8 bilhões em recursos para operações de crédito rural no âmbito de programas do Plano Safra 2024-2025. Deste montante, R$ 2,7 bilhões serão destinados às linhas voltadas para agricultura empresarial e R$ 2,1 bilhão para agricultura familiar.

Com a medida, o total de recursos ainda disponível nos diferentes Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) a serem repassados pelo banco é de R$ 11 bilhões, com prazo de utilização até junho de 2025.

Os recursos poderão ser utilizados por produtores rurais, cooperativas e agricultores familiares para custeio e investimento em diversas finalidades, incluindo ampliação da produção, aquisição de máquinas e equipamentos, armazenagem e inovação.

2024-2025 – O BNDES é um dos principais apoiadores do setor agropecuário. No Plano Safra 2024-2025, a instituição já aprovou R$ 27,9 bilhões e atendeu a solicitações de mais de 126 mil operações indiretas, realizadas pela rede de agentes financeiros credenciados. Além dos PAGFs, o BNDES também oferece soluções próprias para garantir a oferta de crédito ao setor agropecuário durante todo o ano, como o BNDES Crédito Rural – na atual safra, o produto já soma R$ 3,7 bilhão em operações aprovadas.

Trump de volta: o que a nova gestão pode significar para o agro brasileiro

A posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos pode ter um impacto significativo no agronegócio brasileiro. Durante seu primeiro mandato, Trump iniciou uma guerra comercial com a China, impondo tarifas sobre produtos chineses. Em resposta, a China aplicou tarifas sobre produtos agrícolas dos EUA, como soja, milho e trigo. Como resultado, o Brasil se tornou o principal fornecedor de produtos agrícolas para a China, com um aumento nas exportações de soja, milho, carne de frango, celulose, açúcar e café.

No entanto, se Trump reintroduzir as tarifas, o comércio entre o Brasil e a China pode ser afetado. O Brasil precisará ampliar suas exportações para atender à demanda chinesa, o que pode aumentar a pressão sobre o setor agrícola brasileiro.

Imigração

Além disso, uma possível deportação em massa de imigrantes pode gerar incertezas, especialmente em estados como a Califórnia, que depende de mão de obra estrangeira para a produção agrícola.

Preço das commodities

Em termos de preços, se Trump reiniciar a guerra comercial, os preços de soja em Chicago podem cair, enquanto os preços no Brasil podem aumentar. Caso contrário, sem novas tarifas, os preços globais tenderiam a cair.

Foto: Reprodução / ABC News Live

La Niña: entenda o fenômeno climático que afeta o Brasil e o mundo

A La Niña é um fenômeno climático natural e nada mais é do que o resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Isso ocorre quando os ventos alísios, que normalmente sopram de Leste para Oeste, se fortalecem, empurrando as águas quentes para Oeste e permitindo que águas frias profundas subam à superfície. Resumindo: variações na pressão atmosférica e nos ventos causam movimentos das massas de ar, possibilitando mudanças na temperatura da superfície do mar.

Os efeitos da La Niña afetam todo o mundo e variam de acordo com a região. No Brasil, ela tende a causar secas severas no Sul e Sudeste. Mas outras regiões do país podem apresentar chuvas acima da média. Na América do Sul, Colômbia, Peru e Equador podem sofrer com inundações. Temperaturas mais baixas podem ocorrer em todo o mundo, especialmente no Hemisfério Norte. E de maneira global, mudanças nos padrões de chuva acabam afetando a agricultura e a disponibilidade de água.

Foto: NOAA / Divulgação

Principais prejuízos para a agricultura

A La Niña pode trazer prejuízos significativos para determinados cultivos, especialmente os que dependem de condições climáticas específicas. No Brasil, por exemplo, pode causar secas fortes no Sul, o que afeta negativamente a produção de alimentos, principalmente em fases mais sensíveis do desenvolvimento de plantas como a soja, o milho e o feijão.

– Seca e falta de chuva: redução da disponibilidade de água para irrigação, afetando o crescimento das plantas e levando à diminuição da produtividade

– Chuvas intensas e inundações: em outras regiões, pode causar chuvas intensas e inundações, prejudicando as plantações, encharcando o solo e levando ao apodrecimento das raízes

– Baixas temperaturas: em áreas específicas, pode trazer baixas temperaturas, afetando o crescimento e desenvolvimento de culturas sensíveis ao frio

– Perda de produtividade: a combinação de secas, chuvas intensas e baixas temperaturas pode levar a uma redução significativa na produtividade dos cultivos

Benefícios para a agricultura

Por outro lado, o fenômeno climático pode ter sim impactos positivos na agricultura. Aqui estão algumas maneiras pelas quais a La Niña pode beneficiar culturas específicas, como a soja, o milho e o algodão:

– Precipitação aumentada: chuvas acima da média em partes do Brasil podem ser benéficas para culturas que dependem de água, como a soja, o milho e o algodão

– Temperaturas mais amenas: temperaturas mais baixas podem reduzir o estresse térmico nas plantas e melhorar a qualidade das culturas

– Melhoria da umidade do solo: chuvas mais frequentes e intensas podem melhorar a umidade do solo, reduzindo a necessidade de irrigação e melhorando a saúde das plantas

Importância de monitorar as condições climáticas

A La Niña é um fenômeno complexo que exige atenção contínua. Entender suas causas e efeitos é fundamental para mitigar seus impactos no Brasil e no mundo. Fontes confiáveis – Instituto  Nacional de Meteorologia (Inmet), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) – e atualizadas são essenciais para se manter informado sobre esse e outros fenômenos climáticos.

Embora a La Niña possa trazer benefícios para a agricultura, é importante lembrar que as condições climáticas podem variar de ano para ano e de região para região. Os agricultores devem monitorar constantemente os boletins meteorológicos e ajustar suas práticas agrícolas de acordo com as necessidades específicas de suas culturas.

Acidente aéreo: avião de produtores rurais explode após sair da pista

com informações do g1, do Metrópoles e do Diário da Manhã

Um avião de pequeno porte explodiu na praia do Cruzeiro, em Ubatuba, no litoral de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (09/01). Ao tentar pousar, a aeronave saiu da pista e seguiu em direção ao mar.

Cinco pessoas estavam a bordo. Os passageiros são da família Fries, de produtores rurais de Goiás: a empresária Mireylle Fries, seu marido e dois filhos. A informação foi confirmada por funcionários da Agrícola Fries. O piloto, identificado como Paulo Seghetto, morreu no acidente. Os passageiros foram socorridos.  

Foto: Francisco Trevisan / Defesa Civil

A Rede VOA, administradora do terminal aéreo, informou que na hora do acidente as condições climáticas eram ruins e a pista estava molhada. O Cessna 525, modelo da aeronave que explodiu, precisa de 789 metros para pouso, segundo o site da fabricante. O aeroporto de Ubatuba tem uma pista de 940 metros.

Investigação

A Força Aérea Brasileira informou que técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos já foram acionados para a ocorrência.

Família Fries

A família Fries produz soja em Goiás e realiza um projeto ambiental para replantio de árvores nativas da região. Ao todo, mais de 2 milhões de árvores já foram replantadas. A fazenda da família goiana abriga a nascente do Rio Araguaia.

Nelvo Fries

Nelvo Fries, de 71 anos, é produtor rural em Mineiros (GO). Com um patrimônio avaliado em R$ 423 milhões, Fries é conhecido por sua atuação no agronegócio, especialmente no cultivo e comercialização de grãos.

Retrospectiva: veja os destaques do agronegócio em 2024

Safra de grãos – A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de grãos no Brasil na safra 2024/2025 será de 322,47 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 8,3% em relação ao ciclo anterior. O Mato Grosso é o maior produtor nacional de grãos, com participação de 28%. O Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais completam a lista dos maiores produtores. O PIB do agronegócio pode corresponder a 21,8% do PIB do Brasil em 2024, abaixo dos 24% registrados no ano passado.

Tecnologia – A tecnologia está transformando radicalmente o setor agrícola. A inteligência artificial, por exemplo, permite analisar grandes volumes de dados sobre clima, solo, plantações e até mesmo o comportamento do consumidor, possibilitando a criação de modelos preditivos e a tomada de decisões mais estratégicas. Drones equipados com câmeras de alta resolução e sensores multiespectrais oferecem imagens detalhadas das lavouras, permitindo identificar problemas com precisão e agilidade. Já os satélites fornecem informações em tempo real sobre as condições climáticas e do solo, auxiliando no planejamento das atividades agrícolas.

    Exportações – As exportações brasileiras de produtos agrícolas atingiram US$ 152,63 bilhões entre janeiro e novembro de 2024. Esse valor representou 48,9% do total das exportações brasileiras no período. O desempenho do agronegócio brasileiro em 2024 foi o segundo melhor da história, ficando atrás apenas dos US$ 153,06 bilhões exportados entre janeiro e novembro de 2023. Os principais setores responsáveis pelo desempenho foram o complexo soja (US$ 52,19 bilhões), carnes (US$ 23,93 bilhões) e o complexo sucroalcooleiro (US$ 18,27 bilhões).

    Queda de ponte afeta logística do agronegócio na região do Matopiba

    por Jayme Vasconcellos*, com informações da Agência Brasil

    A queda da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira sobre o rio Tocantins teve um impacto significativo na logística de transporte rodoviário na região. A estrutura, que fazia parte da BR-226 e ligava os estados do Tocantins e do Maranhão, era uma importante artéria para o escoamento de produtos agrícolas e minerais. No último domingo (22/12), o vão central da ponte, de 533 metros de extensão, cedeu. Até o momento, as autoridades confirmam que quatro pessoas morreram e outras treze estão desaparecidas.

    Com o desabamento, o tráfego foi desviado para outras rotas, aumentando o tempo e o custo de transporte. Isso já tem afetado negativamente a economia local, especialmente o agronegócio, que depende do transporte eficiente para manter sua competitividade. O escoamento da safra de grãos 2024/2025, que deve ser colhida a partir de abril na região, deve ser impactado, pois até lá o tráfego na ponte possivelmente não terá sido restabelecido.

    Além disso, a interrupção também causou problemas para o abastecimento de mercadorias essenciais, como alimentos e medicamentos, para as comunidades locais. A falta de infraestrutura adequada e a necessidade de investimentos em manutenção e conservação das rodovias foram destacadas como principais causas do acidente.

    Foto: Corpo de Bombeiros / Governo do Tocantins

    Rotas alternativas

    O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) divulgou rotas alternativas para os usuários da rodovia. Os motoristas do Tocantins devem acessar a estrada que vai de Darcinópolis a Luzinópolis, chegar na BR-230 e seguir até o km 101 (cidade de São Bento). Em seguida pegar a direita, sentido Axixá e Imperatriz (MA).

    Quem vai do Maranhão deve acessar a BR-226 em Estreito até Porto Franco. De Porto Franco os usuários devem seguir pela BR-010 até Imperatriz.

    Contaminação da água

    Caminhões que caíram da ponte provocaram a contaminação da água do rio e a interrupção preventiva do fornecimento da água para os moradores da região. As carretas transportavam cerca de 22 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico, produto químico corrosivo.

    Após monitoramento e análises técnicas, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) emitiu um parecer afirmando que não há risco no consumo da água do rio. Em nota, a ANA afirmou que a captação da água para abastecimento de Imperatriz (MA) será retomada imediatamente.

    Investigação

    A Polícia Federal (PF) informou que começou a investigar a queda da ponte. Em nota, a corporação disse que as ações serão conduzidas pelas superintendências regionais da PF no Maranhão e no Tocantins. O DNIT também vai investigar as causas do acidente. O órgão informou que instaurou uma sindicância para apurar causas e responsabilidades sobre o desabamento.

    Reconstrução da ponte

    Para mitigar os efeitos da queda da estrutura, autoridades estaduais e federais precisam trabalhar juntas para estabelecer soluções temporárias e permanentes. Isso inclui a construção de uma nova ponte, melhorias nas rotas alternativas e investimentos em infraestrutura viária. A cooperação entre os setores público e privado é fundamental para minimizar os impactos econômicos e garantir a fluidez do transporte na região.

    Nesse cenário, o Ministério dos Transportes informou que um decreto de emergência destinará mais de R$ 100 milhões para a construção de uma nova ponte. A expectativa é que os recursos sejam liberados ainda este ano.

    *Jornalista e radialista. Editor-chefe do Agricultura e Negócios. Autor do livro “Liderança: desvendando os segredos para inspirar e conduzir no século XXI” e especialista em Comunicação e Marketing.

    Como o preço da arroba do boi está alavancando o mercado de terras no Brasil

    A alta histórica no valor da arroba do boi, observada durante o segundo semestre de 2024, está movimentando o mercado de terras, com o aumento na procura de fazendas de pecuária, principalmente por meio de arrendamento. De acordo com o Chaozão, portal especializado em anúncios de imóveis rurais, muitos produtores têm buscado fazendas para arrendamento de pecuária, aproveitando o bom preço do mercado da carne. Dos arrendamentos anunciados em todo o Brasil, 18% são específicos para pecuária e outros 20% são de dupla aptidão, com uso também para pecuária.

    O aumento na procura de fazendas para arrendamento, segundo especialistas do mercado, se justifica principalmente pela necessidade de terminação dos animais para abate e a reposição de plantel.

    No lugar dos animais abatidos, outros são repostos em outras fases de desenvolvimento, que serão engordados para futuramente serem também abatidos. Esse é o ciclo da pecuária que dura em média de 4 a 5 anos, com variações do preço da arroba e da demanda interna e global, devido à disponibilidade de animais para abate. O que precede a alta da arroba é a falta de matrizes para cria, com o aumento do abate das mesmas, por falta de outros animais ou por renovação de plantel.

    Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

    “A recente e severa seca prejudicou a qualidade e disponibilidade de forrageira (pastagem) e, consequentemente, freou a terminação dos animais para abate. O pasto ficou rapado e as aguadas secaram, prejudicando o ganho de peso dos animais e aumentando os custos de produção, devido a busca por outras opções nutricionais. Alguns pecuaristas precisaram ou precisam tirar o gado do pasto da fazenda para recuperar a pastagem e levar o gado para onde tem pasto bom. Uma saída oportuna para aproveitar a alta da arroba é arrendar áreas com pastagem adequada e conseguir fazer a terminação dos animais para abate, garantindo lucro maior”, explica Renata Apolinário, engenheira agrônoma e diretora operacional do Chaozão.

    O retorno dos “sojistas” para a pecuária, segundo Renata Apolinário, também merece destaque, já que o preço menos atrativo do grão da soja está provocando um movimento de retomada entre muitos produtores que, agora, enxergam na agropecuária uma estratégia de diversificação das atividades, apostando na crescente do mercado da carne.

    Arrendatários buscam maximizar o rebanho

    Muitos produtores que atuam apenas com arrendamento diminuíram os bois por conta do preço da arroba, quando ela estava em baixa. Agora, estão voltando para o segmento, com a melhora do preço, aumentando o rebanho. Analistas do setor levantam a bandeira de atenção do pecuarista para um bom planejamento, dentro dos ciclos na pecuária nacional, pois junto com a alta da arroba, os custos de produção também aumentaram.

    “As ações de recria de animais destinados ao confinamento e de animais em terminação para abate fazem parte de um planejamento estratégico do pecuarista e devem ser feitas antes da crise de animais no mercado. Agora passa a ser uma ação imediatista, que pode não ser tão lucrativa, já que um bezerro passou de R$ 1.800,00 para R$ 2.400,00 a R$ 2.800,00”, destaca Manoel Assis de Freitas, consultor de pecuária. A análise considera o valor base do Vale do Araguaia (GO).

    O pecuarista de boi a pasto que busca por terras para arrendamento também deve ficar atento à qualidade do capim que compõe essas áreas. “Após 6 meses de seca, as altas temperaturas e a morte súbita do capim provocaram uma escassez de áreas com pasto de boa qualidade, por isso é importante selecionar áreas em que o capim esteja bem formado e, principalmente, seja uma espécie facilmente manejável. Não observar estes pontos pode acabar onerando os custos de produção”, aponta Ludmilla Castro, engenheira agrônoma e sócia da Sementes Globo Rural.

    Segundo Castro, outro ponto que deve ser analisado é se o capim é “dócil” o suficiente para o manejo. “Caso o capim seja de difícil manejo, o pecuarista vai encontrar entraves para conseguir aproveitar todas as qualidades que o capim tem a oferecer, vai gastar mais com adubação e pode errar mais durante o manejo. Um capim que passou do ponto de pastejo, possui menor quantidade de folhas e maior quantidade de talos, ou seja, a qualidade cai drasticamente”, afirma.

    A agrônoma sugere, ainda, que o pecuarista observe bem as condições de degradação do solo. “Em um pasto degradado ou em vias de degradação, não se consegue atingir a máxima capacidade de lotação e isso reflete na diminuição da quantidade de arrobas produzidas por hectare”, explica.

    Esse giro de dinheiro, influenciado pela alta da arroba do boi, é importante para a movimentação e dinâmica da economia, gerando melhorias ao setor pecuário, mas é preciso planejamento e boa condução da atividade, colocando tudo na ponta do lápis e analisando se é uma pecuária lucrativa ou só por amor.

    Ceia de Natal: produtos ficam até 34% mais caros ao longo do ano

    A ceia de Natal dos brasileiros este ano terá um ingrediente salgado além do tempero dos tradicionais pratos da época: o preço dos produtos. O monitoramento dos valores dos itens da cesta natalina, realizado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados que desenvolve soluções na gestão da cadeia de consumo, aponta um aumento no preço médio de produtos como o azeite (34,3%), arroz (28,5%), bacalhau (22,5%) e até o panetone (5,4%).

    O estudo mostra elevações nos valores em 12 dos 13 produtos analisados, entre dezembro de 2023 e outubro de 2024. As maiores variações aconteceram no preço médio do litro do azeite de oliva, que saltou de R$ 84,86 para R$ 114,00 no período, e do arroz, que subiu de R$ 10,64 para R$ 13,70. Já a batata inglesa teve alta de 23,2% (de R$ 7,37 para R$ 9,08) e a maionese aumentou 14,3% (de R$ 27,78 para R$ 31,76).

    “As mudanças climáticas têm gerado uma série de impactos que resultam nesse aumento, começando pela redução das áreas de plantio tomadas pelo fogo. O fenômeno El Niño, por exemplo, afetou a safra de soja, alimento essencial de animais como os suínos, o que acaba influenciando no preço final de diversos itens”, explica Anna Fercher, coordenadora de Atendimento ao Cliente e Dados Estratégicos da Neogrid.

    Proteínas mais caras

    O consumidor tem sentido no bolso o preço mais elevado das principais proteínas utilizadas nas festas de fim de ano. O valor do bacalhau, por exemplo, cresceu 22,5% (saindo de R$ 100,94, em dezembro de 2023, para R$ 123,66 em outubro deste ano). Logo atrás, aparece o frango, tipo de ave mais requisitada para compor a ceia, com variação de +22,2% (de R$ 20,55 para R$ 25,11). A categoria de suínos subiu 9,8% (de R$ 30,63 para R$ 33,64).

    Bebidas também

    Os líquidos também apresentaram elevações nos preços: o suco pronto sofreu reajuste de 16,4%, enquanto o refrigerante, de 15%. Bebidas alcoólicas, como a cerveja, saltou 14,4%, ao passo que o vinho, 3,1%. De todos os produtos da cesta, o único que teve retração no preço foi o suco concentrado (-21%). O produto custava R$ 22,54 em dezembro do ano passado e caiu para R$ 17,51 em outubro de 2024.

    Foto: Nicole Michalou / Pexels.com