Importância da escolha do híbrido para o resultado da silagem

por Egon Henrique Horst*

Os custos com alimentação em sistemas pecuários intensivos, sejam propriedades leiteiras ou de corte, podem chegar a 70% do total investido, e por isso ter uma silagem de baixo custo é fundamental para se manter competitivo na cadeia produtiva. É importante ressaltar que silagem de baixo custo não se faz economizando em insumos, na maioria das vezes ocorre justamente ao contrário, é sendo assertivo nos investimentos em manejo e processos que o produtor terá maiores retornos produtivos de sua lavoura e, consequentemente, uma silagem mais barata por quilo de matéria seca ou Mcal de energia produzida.

Um dos fatores que mais afetam o retorno sobre o investimento da silagem de milho é o híbrido cultivado. Atualmente, há no mercado inúmeros híbridos de milho a disposição, com diferentes características e potencial de retorno. Há alguns anos os híbridos mais indicados para produção de silagem eram aqueles que geravam maior rendimento produtivo por área, com objetivo de estocar o máximo de alimento, independente da sua qualidade. Outros anos se passaram e os híbridos com aptidão para grãos ganharam espaço, haja vista que essa é a fração mais energética da silagem, porém pouca atenção se dava à fração vegetativa da planta como constituinte da silagem. Hoje, sabemos que tanto os grãos quanto a fração vegetativa precisam conceder o máximo valor nutricional, proporcionando maior desempenho animal. Portanto, optar por híbridos que proporcionem maiores rendimentos energéticos por área, como tonelagem de amido e FDN digestível (fibra em detergente neutro) por hectare, é a melhor escolha.

Estimativas de “tonelada de leite por tonelada de matéria seca” e “tonelada de leite por hectare” obtidas por meio do modelo Milk2006 ou Milk2024 criado por pesquisadores da Universidade de Wisconsin (EUA) é outra forma corriqueira que alguns técnicos e produtores têm utilizado para avaliar híbridos. Embora sejam informações importantes para comparar as sementes, não dispensa a avaliação dos valores absolutos de rendimento de matéria seca, amido e FDN digestível, sendo essas as variáveis que mais contribuem na construção daquelas estimativas. Pensamos que escolher um híbrido com base em valores de estimativas compostas como as propostas pelo Milk2006 ou Milk2024, onde as características de entrada podem ser ponderadas de forma diferente do desejado por um produtor individualmente, possa deixá-lo aquém de suas expectativas.

Além disso, é importante destacar outros fatores inerentes ao híbrido no momento de sua aquisição, como por exemplo:

  • Ciclo de maturidade do híbrido
  • Biotecnologias disponíveis, como: resistência aos principais herbicidas (glifosato e glufosinato de amônio p, ex.) e controle contra os principais lepidópteros da cultura do milho (broca do colmo; lagarta da espiga; lagarta armigera; lagarta preta das folhas; lagarta do cartucho; lagarta rosca)
  • Estabilidade agronômica (emergência sob condições de estresse e tolerância à seca p, ex.)
  • Resistência genética às principais doenças foliares e de espiga
  • Tolerância ao complexo de molicutes e viroses (CMV)

*Especialista de Silagem BR e PY, LongPing High-Tech.

Pesquisa do InCor investigará benefícios do vinho tinto e do suco de uva para a saúde cardiovascular

Uma parceria entre o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) e a Sicredi Serrana RS/ES vai apoiar projetos voltados ao desenvolvimento do setor vitivinícola brasileiro. A colaboração, que terá duração de três anos e investimento superior a R$ 3 milhões, contempla diferentes iniciativas para beneficiar e promover a cadeia produtiva da uva e do vinho no país. O convênio abrange o apoio financeiro a estudos científicos e a um podcast especializado.

Um dos projetos de destaque é a pesquisa “Vinho, Suco de Uva e Saúde”, conduzida pelo Dr. Protásio da Luz, do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (InCor). O estudo receberá um investimento de R$ 1,5 milhão ao longo de três anos.

Vinho, Suco de Uva e Saúde

Protásio da Luz, doutor em Cardiologia pela USP, explica que a pesquisa visa investigar os efeitos do vinho tinto e do suco de uva no sistema cardiovascular, incluindo funções plaquetárias e marcadores de evolução da aterosclerose. “Investigaremos, principalmente, a ação do suco de uva sobre a composição da flora intestinal em pacientes com doença coronária documentada. A flora intestinal é hoje reconhecida como um importante modulador da doença vascular. Também avaliaremos o cálcio coronário em bebedores habituais de vinho tinto”, detalha o pesquisador. O estudo será desenvolvido nos próximos três anos.

O especialista acrescenta que o tratamento da aterosclerose compreende medicamentos e estilo de vida, e que o vinho tinto é considerado parte da dieta. “Estudos anteriores, incluindo os nossos, sugerem que o vinho tinto protege contra eventos cardiovasculares, tais como mortalidade e infarto do miocárdio”, explica Dr. Protásio.

Uvas no RS

O setor vitivinícola representa 1% do PIB no Rio Grande Sul, com R$ 6,5 bilhões de faturamento no último exercício. De acordo com o diretor de operações da Sicredi Serrana, Odair Dalagasperina, esta é principal atividade agrícola da região, com envolvimento de 11,4 mil propriedades, mais de 28,5 mil hectares cultivados.  

Além disso, a região conta com 428 vinícolas, entre indústrias e cooperativas, e que geram 2.747 empregos fixos. “Olhando a cadeira de valor, o setor influencia diretamente no turismo da nossa região, onde temos hoje cerca de 2 mil empresas ligadas ao setor. Além de gerar empregos e movimentar a economia local, o setor vitivinícola possui um forte apelo cultural e turístico, valorizando a identidade regional”, complementa o diretor.

Inteligência artificial analisa temperatura das folhas para identificar necessidade de água

com informações da Embrapa Agroindústria Tropical

Um dispositivo autônomo de baixo custo para o sensoriamento do estresse hídrico das plantas foi desenvolvido pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE). A tecnologia utiliza como base o balanço de energia das folhas e pode contribuir para a tomada de decisões mais precisas e assertivas no manejo de irrigação. Parceria entre a Embrapa, a Universidade Federal do Ceará (UFC), o Laboratório de Inovação Tecnológica e Experimentação Científica Instituto Atlântico (Litec) e a empresa cearense 3V3 Tecnologia irá desenvolver uma versão comercial nos próximos anos.

O pesquisador da Embrapa Cláudio Carvalho conta que a tecnologia usa ferramentas de inteligência artificial (IA) no controle das informações coletadas no sensoriamento. Embora os efeitos da deficiência de água sobre o balanço energético dos tecidos das folhas sejam conhecidos, Carvalho declara que o uso de IA para a identificação de padrões e para o controle de irrigação é inédito.

Para o engenheiro da computação e mestrando do programa de Pós-Graduação de Engenharia de Teleinformática da UFC Otto Sousa, responsável pelo acompanhamento e desenvolvimento das competências informacionais da tecnologia, o dispositivo fornece a possibilidade de criar equipamentos que tenham custos mais acessíveis aos médios e pequenos produtores agrícolas no manejo de irrigação das culturas.

“Os dispositivos existentes são muito caros, uma vez que a indústria brasileira importa quase tudo que envolva equipamentos eletrônicos. Com isso, podemos pensar na máxima de que, se vamos precisar importar alguma coisa, vamos construir algo eficiente, mas com os componentes eletrônicos mais baratos possíveis”, complementa Sousa.

Água é recurso fundamental

Na agricultura, a água é um recurso crucial, influenciando significativamente a saudabilidade e o rendimento das plantas. Condições como a falta de água no solo, aspectos climáticos desfavoráveis ou mesmo práticas agrícolas inadequadas podem gerar estresse hídrico.

O investimento em tecnologias de sensoriamento fornece uma solução automatizada para a gestão dos recursos hídricos, reduzindo custos, diminuindo os impactos ambientais associados ao desperdício de água e, principalmente, evitando os danos decorrentes do déficit hídrico.

O sistema de sensoriamento

O sistema de sensoriamento desenvolvido é composto por três dispositivos: sensor de temperatura das folhas, psicrômetro aspirado e piranômetro. O sensor de temperatura das folhas é composto por termistores de encapsulamento em vidro anexados na superfície das folhas e conectados a um sistema coletor de dados. O sistema coletor utiliza a equação de Steinhart-Hart para calcular a temperatura das folhas em relação à temperatura do ar e à umidade. Nesses dispositivos, as leituras de temperatura são realizadas a cada minuto e os dados enviados, imediatamente após a coleta, ao servidor de dados utilizado. A transmissão é feita via LoRa, protocolo de radiofrequência de baixo consumo de energia.

O psicrômetro aspirado, por sua vez, coleta dados de temperatura e umidade do ar, adiciona um carimbo de tempo a cada leitura e envia esse conjunto de informações também para o servidor de dados. Por fim, o piranômetro verifica o índice de radiação solar sobre as plantas. Por se tratar de um sensor que fornece informações em forma de sinais analógicos, os pesquisadores desenvolveram um circuito de conversão analógico-digital que recebe as informações do piranômetro e as converte para a forma digital. Os valores convertidos são enviados via Wi-Fi para o servidor.

Com o conhecimento de informações de temperatura, umidade do ar e incidência de radiação solar, o sistema avalia e determina as necessidades hídricas das plantas. Em caso de identificação de necessidade hídrica, o sistema aciona automaticamente dispositivos de irrigação.

Próximo passo: chegar ao mercado

De acordo com a professora Atslands Rego da Rocha, do Departamento de Engenharia de Teleinformática (Deti) da Universidade Federal do Ceará (UFC), as perspectivas são que o dispositivo e sua base de IA cheguem ao campo em até dois anos. “Estamos construindo a versão 2.0 do hardware e aumentando o banco de dados para a modelagem usando as ferramentas de IA. As perspectivas apontam para uma solução interessante já em alguns meses. Porém a comercialização plena só se dará em mais algum tempo”, explica.

Há uma parceria ainda informal mas já em ação que envolve a Embrapa Agroindústria Tropical, a UFC, o Laboratório de Inovação Tecnológica e Experimentação Científica Instituto Atlântico (Litec) e a empresa cearense 3V3 Tecnologia, especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a agricultura irrigada.

Foto: Otto Souza / Embrapa

Inteligência artificial impulsiona o agronegócio: setor deve crescer 300% até o fim de 2024

Sendo um dos setores que mais impulsiona a economia brasileira, o agronegócio não poderia ficar para traz quando o assunto é tecnologia. De acordo com o Agtech Report 2023, o uso de inteligência artificial (IA) no agronegócio deve crescer 300% até final desse ano, trazendo uma nova era de inovação e eficiência para o campo.

Uma das principais aplicações da IA no setor é a análise de dados agrícolas em larga escala. Sensores, drones, imagens de satélite e outros dispositivos são ferramentas utilizadas para coletar informações sobre o clima, qualidade do solo, crescimento das culturas, manejo de pragas e doenças, entre outros aspectos. Esses dados também permitem ao produtor um mapeamento digital detalhado da propriedade, facilitando a identificação de necessidades nutricionais e ambientais de plantas e animais, além de possibilitar o controle de sementes e a automação de máquinas e operações. A tecnologia também está revolucionando a alimentação e o bem-estar animal, bem como a logística e o controle de estoque remoto.

Segundo Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, rede especializada em crédito rural que fornece suporte financeiro para que os produtores possam investir em suas propriedades, é fundamental investir em inovação. “Estamos vivendo uma era de grandes transformações no agronegócio e a tecnologia é a chave para aumentar a produtividade e a sustentabilidade no campo“.

Há muito tempo as porteiras foram abertas para a tecnologia no Brasil, um estudo realizado em 2020 pela Embrapa, Sebrae e INPE, mostrou que cerca de 84% dos agricultores do país já adotavam alguma forma de tecnologia em suas produções agrícolas. A inteligência artificial no setor promete transformar a agricultura, trazendo benefícios para os produtores e para o meio ambiente, além de impulsionar a criação de um segmento agrícola mais eficaz e sustentável.

Sobe para 2.300 número de animais da pecuária mortos em incêndios no interior de SP

Milhares de animais da pecuária perderam a vida nos incêndios, neste fim de semana, no interior de São Paulo. Focos de fogo possivelmente criminosos se alastraram rapidamente entre canaviais e propriedades rurais, devido ao forte vento e à estiagem. Em um único assentamento na área rural de Pradópolis, as chamas vitimaram diretamente 217 porcos, frangos e galinhas. E em Santo Antônio do Aracanguá, ao menos 43 bois morreram carbonizados em uma fazenda.

Além das consequências diretas, os incêndios também causaram problemas logísticos e de infraestrutura que já impactaram milhares de animais. Na estrada entre Batatais e Ribeirão Preto, 2.000 frangos morreram em três caminhões parados nos bloqueios causados pelo fogo. A situação foi agravada pela alta temperatura.

“Confinados por cercas ou em caminhões, muitos desses animais sequer tiveram a chance de fugir. Em casos como esse, é crucial destacar que os animais criados pela pecuária são tão vítimas quanto os animais silvestres. Eles também são capazes de sentir dor e medo. As suas mortes não são apenas números, são vidas que foram perdidas em meio a um sistema que já negligencia seus direitos mais básicos”, lamenta a diretora da ONG Sinergia Animal no Brasil, Cristina Diniz.

Em uma fazenda em Itirapina, cerca de 70 bois conseguiram romper a cerca para fugir do fogo. Outros não tiveram a mesma sorte — em Ribeirão Preto, a Defesa Civil relatou que vacas e porcos presos em um curral não conseguiram escapar das chamas. O mesmo ocorreu em Boa Esperança do Sul, onde 10 porcos e um bezerro foram mortos pelo incêndio que se alastrou rapidamente. Casos semelhantes foram registrados em Santa Isabel e em um haras tomado pelo incêndio em Guapiaçu.

“Abram suas porteiras, é uma questão de vida”, suplicou a prefeita do município de Lucélia, Tati Guilhermino, em um apelo feito aos produtores rurais no rádio. A Defesa Civil declarou que ainda está levantando o número total de animais impactados pela tragédia nas cidades da região. “Mesmo os animais que sobreviveram agora correm risco de sofrer com a falta de alimento em áreas de pasto amplamente devastadas pelo fogo, como já vem ocorrendo no Pantanal”, alerta Diniz.

Em apenas dois dias, segundo o Inpe, São Paulo registrou quase 7 vezes mais incêndios do que em todo o mês de agosto de 2023 e mais focos do que todos os meses de agosto desde 1998. Foram 2.300 focos de incêndio só no fim de semana, queimando mais de 20 mil hectares e deixando 48 cidades do interior de São Paulo em alerta máximo para queimadas.

“Estamos diante de uma tragédia de proporções imensuráveis. Lamentavelmente, este não é um caso isolado — como vimos nos incêndios no Pantanal e nas enchentes no Rio Grande do Sul, onde mais de um milhão de animais da pecuária foram impactados. É preciso urgentemente estabelecer planos de contingência eficazes que incluam esses animais em casos emergenciais e repensar os nossos sistemas alimentares para combater a crise climática”, conclui a diretora da Sinergia Animal no Brasil.

Foto: Agência Brasil / EBC

Imposto Territorial Rural: prazo de entrega da declaração termina no fim do mês

Proprietários, titulares do domínio útil e possuidores de propriedades rurais de todo o país têm até o dia 30 de setembro para enviar as declarações do Imposto Territorial Rural (ITR 2024). Neste ano, o Serpro, que desenvolve a tecnologia utilizada pela Receita Federal, trouxe inovações, como novas modalidades de pagamento por PIX e o impedimento automático do envio da declaração em caso de divergência entre a área declarada e a informada no Cadastro Imobiliário Brasileiro.

O programa gerador da declaração do ITR 2024 deve ser baixado no ambiente da Receita Federal, preenchido e enviado pela internet. A obrigação de entrega das declarações inclui os eventuais isentos e independe do tamanho ou da finalidade de uso das terras. Uma parte do dinheiro arrecadado fica com o Governo Federal e entra no Orçamento da União. A outra vai para as prefeituras dos municípios onde ficam os imóveis rurais.

Novidades

“Uma das novidades deste ano é que não é mais possível o envio da declaração enquanto houver divergência entre a área declarada e a área informada no Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB). Outra evolução importante é a inclusão de novas modalidades de pagamento por PIX”, complementa a diretora. Até o ano passado, o ITR podia ser pago via PIX somente através de QR Code.

Uma outra mudança é que, devido a uma alteração no Código Florestal ocorrida neste ano, não há mais a obrigatoriedade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para conseguir a isenção do ITR sobre áreas como reserva legal ou áreas de preservação permanente (APPs). Essas partes da propriedade rural são legalmente isentas e, agora, os contribuintes podem comprovar a situação de isenção utilizando apenas o CAR, um registro obrigatório que contém todas as informações necessárias sobre a propriedade rural.

Cálculo

O imposto varia de acordo com o tamanho da propriedade e seu grau de utilização. Quanto maior a terra, maior o imposto a ser pago. No entanto, quanto mais utilizada a área, com atividades de agricultura ou pecuária, menor a tributação. São excluídas do cálculo do ITR as áreas com algum tipo de proteção ambiental e as cobertas por florestas. O ITR também não precisa ser pago quando incide sobre a propriedade de pequena gleba rural (desde que o proprietário não possua outro imóvel rural ou urbano) e de terrenos rurais de instituições sem fins lucrativos de educação e assistência social, quando utilizados na atividade-fim.

Também estão sujeitas à obrigação as pessoas físicas ou jurídicas que, entre 1º de janeiro de 2024 e a data da entrega do ITR 2024, perderam a posse do imóvel rural ou o direito de propriedade devido à transferência ou incorporação do imóvel rural ao patrimônio do expropriante. Quem não declara ou não paga o ITR não consegue vender o terreno rural nem obter financiamentos.

Foto: Nataliya Vaitkevich / Pexels.com

Diversificar culturas na sucessão entre milho e soja pode aumentar lucro do produtor em até 11%

com informações da Embrapa Soja e da Embrapa Trigo

Pesquisas realizadas ao longo de três anos – safras 2020/2021, 2021/2022 e 2022/2023 – no oeste e no centro-oeste do Paraná apontam que a diversificação de culturas agrícolas na sucessão entre a soja e o milho segunda safra aumenta o lucro de produtores em até 11%. Os experimentos, conduzidos em parceria entre a Embrapa e o Centro de Pesquisa Agrícola Copacol, identificaram três modelos de produção mais lucrativos, que incluem a braquiária, a aveia preta e o trigo no sistema produtivo. Os resultados estão compilados na publicação Modelos de produção intensificados para diversificação da matriz produtiva para além da sucessão milho 2ª safra/soja nas regiões centro-oeste e oeste do Paraná. 

De acordo com o pesquisador Alvadi Balbinot, da Embrapa Trigo, um dos autores da publicação, ao se introduzir a braquiária consorciada com o milho segunda safra, em sucessão à soja, por exemplo, houve um aumento significativo na produtividade da soja. “Nesse modelo, a rentabilidade observada foi 11% superior ao sistema padrão da região”, calcula Balbinot.

No segundo modelo considerado eficiente, o sistema de produção foi planejado com milho segunda safra, aveia preta, soja, milho segunda safra e soja. Nesse exemplo, a cada dois anos, a aveia é cultivada como cobertura vegetal do solo, na terceira safra. “Os resultados desse modelo produtivo mais intensificado apresentaram rentabilidade superior a 10% em relação ao sistema tradicional adotado nesta região”, ressalta o pesquisador.

No terceiro sistema produtivo avaliado como rentável, os pesquisadores introduziram o trigo, configurando-se o sistema assim: milho segunda safra, trigo terceira safra, soja, milho segunda safra e soja. “Nessa proposta, com a produção de trigo, obteve-se uma rentabilidade no sistema produtivo 6,6% superior à tradicional sucessão da soja com o milho segunda safra”, explica Balbinot.

O pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja,  reforça que a diversificação traz outros benefícios além da viabilidade econômica. Debiasi observa que a rotação do milho segunda safra, em cultivo solteiro ou consorciado à braquiária ruziziensis, com cereais de inverno como o trigo, representa uma alternativa para diversificar a matriz produtiva, pois proporciona redução dos custos de produção e aumento da produtividade da soja em relação ao modelo de sucessão tradicionalmente utilizado na região. “A cobertura e a melhoria da qualidade do solo se refletem em maiores produtividades e menores custos de produção para a soja, bem como desempenho mais elevado do milho segunda safra”, enfatiza.

Para o pesquisador, o uso de aveia preta ou do trigo nos sistemas produtivos paranaenses se constitui em processos agropecuários inovadores, pois aumentam a diversificação da matriz produtiva, a produção de fitomassa e a intensificação do uso da terra entre a colheita do milho segunda safra e a semeadura da soja. “Na próxima etapa de pesquisa vamos centrar esforços na validação dos resultados em propriedades rurais, assim como na transferência dessa tecnologia para os produtores da região”, complementa Debiasi.

Melhoria do sistema produtivo

Os resultados da pesquisa, que estimula a diversificação dos sistemas produtivos, apontam que o aumento da produtividade e a estabilidade de produção estão associados à adoção de tecnologias que aumentem a disponibilidade de água às plantas. Isso envolve a construção de um perfil de solo sem impedimentos físicos (compactação), químicos (acidez excessiva, com baixos teores de cálcio e presença de alumínio tóxico) e biológicos (ataque de nematoides e fungos fitopatogênicos) ao crescimento radicular. “A melhoria da estrutura do solo, além de favorecer o crescimento radicular, proporciona maior taxa de infiltração e armazenamento de água disponível às plantas, bem como otimiza os fluxos de água, oxigênio e nutrientes do solo para as raízes”, diz o pesquisador da Embrapa Júlio Franchini.

A intensificação da erosão hídrica tem preocupado produtores e técnicos do Paraná porque aumenta as perdas de solo e água, com consequências negativas à produção agrícola e ao meio ambiente. “A perda da camada mais fértil do solo diminui a produtividade das culturas, considerando apenas a reposição dos nutrientes perdidos e representa prejuízos financeiros”, ressalta Franchini.

Foto: Alvadi Balbinot / Embrapa Trigo / Divulgação

Recorde de incêndios: queimadas na Amazônia, Pantanal e região Sudeste deixam país em alerta  

com informações da Agência Brasil

Os focos de incêndio têm batido recorde neste ano em regiões como a Amazônia, o Pantanal e o Sudeste. O problema se intensificou no interior de São Paulo nos últimos dias. Segundo dados do governo do estado de São Paulo, 21 cidades paulistas têm focos de incêndio ativo e 46 municípios estão em alerta máximo para o fogo. As regiões de Ribeirão Preto e de São José do Rio Preto estão entre as mais atingidas pelas queimadas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, confirmou que duas pessoas foram presas por serem suspeitas de atuar em incêndios criminosos. Segundo Freitas, um deles foi preso na região de São José do Rio Preto e o segundo foi detido em Batatais.

Fumaça em Brasília

A capital do país, Brasília, amanheceu nesta segunda-feira (26/08) coberta por fumaça proveniente de queimadas em outras regiões do país. O fenômeno, que também ocorreu no domingo (25/08), foi registrado ainda em outras capitais do Centro-Oeste, como Goiânia, e do Sudeste, como Belo Horizonte.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal, que analisou imagens de satélite, a densa fumaça, que encobriu prédios oficiais como o do Congresso Nacional, é intensificada pelas queimadas que ocorrem no estado de São Paulo, trazida por ventos favoráveis.

Nesta semana, imagens obtidas pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos mostram a concentração do monóxido de carbono sobre uma faixa que se estende do Norte do Brasil até as regiões Sul e Sudeste, passando sobre o Peru, Bolívia e Paraguai.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Investigação

O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para investigar a possível origem criminosa das queimadas que se espalharam pelo estado de São Paulo nesta semana. A informação foi confirmada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A ministra disse que o governo trabalha com a suspeita de uma ação criminosa similar ao “dia do fogo”, numa referência ao 10 de agosto de 2019, quando uma ação orquestrada de criminosos ateou fogo em mais de 470 propriedades rurais. “Há uma forte suspeita de que está acontecendo de novo”, afirmou.

“Nesse momento é uma verdadeira guerra contra o fogo e a criminalidade”, disse a ministra. “Tem uma situação atípica. Você começa a ter em uma semana, praticamente em dois dias, vários municípios queimando ao mesmo tempo. Isso não faz parte de nossa experiência de combate ao fogo.”

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou a existência de 31 inquéritos para apurar condutas criminosas ligadas aos incêndios florestais na Amazônia e mais 20 relacionadas ao Pantanal, além de duas investigações abertas para apurar a situação em São Paulo. “Mobilizamos as nossas 15 delegacias espalhadas pelo interior [de SP] para que a gente possa identificar essa questão que envolve essas queimadas no estado”.

Pecuarista e ex-dirigente de futebol: morre o empresário Arni Spiering

com informações do Midia News

O empresário Arni Alberto Spiering, de 69 anos, morreu na manhã desta quinta (15/08) na queda de uma aeronave na zona rural do município de Apiacás, em Mato Grosso. Além de Spiering, morreram também dois netos dele, um funcionário e o piloto do avião.

O Serviço Regional de Investigação e Prevenção a Acidentes Aeronáuticos, da Força Aérea Brasileira, foi acionado para investigar as causas do acidente. A FAB informou que a situação do avião era regular e que a aeronave estava registrada no nome do empresário.

Biografia

Nascido no Rio Grande do Sul, o empresário mudou-se para Rondonópolis (MT) em 1978, quando fundou uma churrascaria. Ele também atuou como caminhoneiro. Em 1984 mudou de atividade profissional, estabelecendo-se no seguimento de combustíveis e transportes.

Spiering atuava também no setor agrícola de Mato Grosso, dedicando-se à sojicultura e pecuária, nas cidades de Porto dos Gaúchos, Juscimeira e Primavera do Leste.

Casado, era pai de dois filhos e de quatro netos. Dois deles também estavam na aeronave que caiu.

União Esporte Clube

Arni Spiering também foi presidente do União Esporte Clube, de Mato Grosso. Foi em sua gestão que o time conquistou o único título estadual de sua história, em 2010.

Em nota de pesar, o clube lamentou a morte do ex-dirigente e torcedor. “É com profundo pesar que a equipe do União Esporte Clube recebe a triste notícia do falecimento do senhor Arni Alberto Spiering, ex-presidente do nosso time. Expressamos nossas sinceras condolências à família e aos amigos neste momento de dor e luto”, declarou a assessoria do clube.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

5 lições de atletas de elite sobre motivação e estresse no trabalho

por Mladen Adamovic* / The Conversation

Nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2024 em Paris, os espectadores podem ficar emocionados com os níveis extremos de força, velocidade, resistência e habilidade exibidos por milhares dos melhores atletas do mundo.

Mas, além de ficarmos impressionados com suas proezas físicas, podemos aprender lições valiosas desses super-humanos sobre nossas próprias vidas profissionais diárias — mesmo que elas não envolvam quadras de esporte ou pistas de corrida.

Rotina e hábitos

Para se tornarem atletas de elite, os atletas olímpicos precisam praticar. E praticar. E então praticar um pouco mais. Os melhores corredores, como os americanos Noah Lyles e Sha’Carri Richardson, realizam repetidamente os mesmos movimentos precisos, como largadas, exercícios de aceleração e exercícios de treinamento de força e core, incluindo agachamentos e levantamento.

Embora esse nível de repetição possa parecer chato, na verdade, ele ajuda os atletas a manter altos níveis de motivação e disciplina. Eles não desperdiçam energia cognitiva (poder cerebral) planejando seu tempo de forma diferente.

Treinar da mesma forma e comer as mesmas coisas se tornam hábitos diários que levam à eficiência e à intensidade, o que é algo a ter em mente quando você sentir que seu trabalho é monótono.

Encontrar motivação

O estabelecimento de metas é outra ferramenta motivacional importante para esses atletas. Metas de longo prazo obviamente incluem se classificar para as Olimpíadas e então ganhar uma medalha ou até mesmo quebrar um recorde.

A tenista japonesa Naomi Osaka disse que ganhar uma medalha olímpica era seu sonho de vida.

Há algo altamente motivacional em representar seu país, especialmente em 2024 para atletas da Ucrânia. A atleta de salto em altura Yaroslava Mahuchikh disse que estão lutando pelo povo e pelos soldados. “Queremos mostrar a cada pessoa no mundo que continuaremos lutando, que a guerra não acabou”, disse ela.

A motivação também vem de se importar com o que você faz. Andy Murray, duas vezes medalhista de ouro olímpico, que planeja se aposentar após representar o Reino Unido nessa Olimpíada, disse recentemente que gostaria de poder continuar jogando tênis para sempre porque ama muito o esporte.

Fazer um trabalho que você gosta é uma grande ajuda quando se trata de manter altos níveis de desempenho.

Foto: Willian Meira/MEsp

Gestão de estresse

É difícil para a maioria de nós imaginar o quão estressante deve ser ter que atuar no mais alto nível em um único momento enquanto o mundo todo está assistindo.

Para lidar com essa pressão intensa, alguns atletas tentam adotar uma “mentalidade de crescimento”, na qual fazem questão de aprender com as situações para reduzir o estresse.

Outros, como a ex-corredora de meia distância dos EUA Shannon Rowbury, adotam estratégias de enfrentamento que podem envolver coisas como se sentir grato por situações de alta pressão porque elas indicam sucesso.

Outra técnica, que poderia ser usada por qualquer um antes de fazer uma apresentação ou participar de uma reunião desafiadora, é tentar se preparar psicologicamente com antecedência.

O corredor dos EUA Grant Holloway explica: “Se você for capaz de visualizar sua corrida e ver o que vai fazer antes mesmo de acontecer, quando ela começar de fato, vai ser natural.”

Autonomia

A maioria dos atletas olímpicos desfruta de autonomia significativa em seu treinamento, e pesquisas mostram que isso pode melhorar o desempenho ao aumentar a motivação e o empoderamento.

Conceder mais autonomia aos funcionários provavelmente aumentará sua motivação também.

Mas também é importante que seus objetivos de longo prazo sejam claros – caso contrário, muita autonomia pode ser contraproducente. Pesquisas sugerem, por exemplo, que algumas pessoas acham difícil trabalhar em casa quando se trata de automotivação e senso de direção.

Resiliência

Esportes de elite são cheios de momentos de resiliência — a capacidade de um atleta de superar contratempos aparentemente impossíveis.

O corredor britânico Ben Pattison, por exemplo, se classificou para os jogos de Paris apesar de ter passado por uma cirurgia cardíaca há alguns anos, enquanto a corredora de barreiras dos EUA Sydney McLaughlin-Levrone perdeu a temporada de 2023 devido a uma lesão, mas retornou com um recorde mundial em 2024.

No esporte, lesões e derrotas estão por toda parte. Fora do esporte, erros e contratempos no trabalho podem não ser tão dolorosos, mas ainda precisam ser superados.

Como o jogador de basquete vencedor da medalha de ouro olímpica Michael Jordan disse uma vez: “Eu errei mais de 9 mil arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Vinte e seis vezes me confiaram para dar o arremesso vencedor do jogo e errei. Eu falhei várias e várias vezes na minha vida. E é por isso que eu tenho sucesso.”

Dificilmente algum de nós se considerará tão bem-sucedido quanto Jordan – e talvez nunca sejamos tão rápidos, fortes ou habilidosos quanto os atletas olímpicos que assistimos em Paris neste verão.

Mas podemos tirar lições da abordagem que eles adotam em seu trabalho – para nos sentirmos motivados, disciplinados e fortalecidos em tudo o que fizermos.

*Professor de administração no King’s College London.

Este texto foi publicado originalmente no site de divulgação científica The Conversation e foi reproduzido aqui sob a licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em Inglês).