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O novo Plano Clima do Governo Federal, uma proposta de política pública para combater as mudanças climáticas, tem sido alvo de fortes críticas do agronegócio, que acusa o documento de concentrar a responsabilidade de redução de emissões no setor. A preocupação é que essa abordagem possa fragilizar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional, que já está cada vez mais atento às emissões de carbono na produção de alimentos.
O agro como vilão ambiental
O cerne da controvérsia está na forma como o Plano Clima distribui a responsabilidade pelo corte de emissões de gases de efeito estufa. Segundo a proposta, o setor de agricultura e pecuária deveria responder pela maior parte da redução das emissões brasileiras na próxima década. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) contesta a medida, alegando que o plano desconsidera os avanços e as práticas de sustentabilidade já adotadas pelo setor, como o uso de bioinsumos e a integração lavoura-pecuária-floresta. Eles argumentam que a metodologia de cálculo usada no plano superestima as emissões do agronegócio e ignora a capacidade de remoção de carbono das áreas de preservação em propriedades rurais.
Para o setor, ao atribuir a maior carga ao agronegócio, o Plano Clima o posiciona como o “vilão” ambiental, enquanto outros setores da economia, como energia e transportes, teriam margem para aumentar suas emissões.
Alerta sobre barreiras comerciais
A principal preocupação dos produtores rurais é o impacto dessas metas na exportação. À medida que países e blocos econômicos, como a União Europeia, adotam regulamentações mais rígidas relacionadas ao meio ambiente, a atribuição de uma grande carga de emissões ao agronegócio brasileiro pode se traduzir em barreiras comerciais. Essa situação poderia prejudicar a imagem do Brasil no exterior e a sua capacidade de competir com outros mercados.
O agronegócio defende que, para o país cumprir suas metas climáticas, a estratégia deve ser mais equilibrada e transparente. A ideia é que haja o reconhecimento dos esforços já realizados e que os planos setoriais sejam elaborados com a participação ativa de todos os envolvidos, incluindo os produtores, para evitar que o Brasil pague um preço alto no mercado internacional.
Parlamentares da FPA discutem o Plano Clima e suas implicações para o setor (Foto: Jayme Vasconcellos / Vasconcellos & Associados)
As tarifas de importação de até 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto, têm gerado impactos significativos no mercado interno brasileiro. Alimentos como pescados, frutas, carnes e café, que possuem forte presença no mercado americano, estão sendo redirecionados para o consumo doméstico, o que pode aumentar a oferta e pressionar os preços para baixo no curto prazo.
No entanto, especialistas alertam para o risco de retração na produção e possível alta de preços a médio prazo. Rogério Marin, CEO da Tek Trade e presidente do Sindicato das Empresas de Comércio Exterior de Santa Catarina (Sinditrade), analisa as tendências e os desafios para o setor agropecuário brasileiro.
Pescados: queda de preços no curto prazo
O setor de pescados, especialmente a tilápia, é um dos mais afetados pela medida, pois destinou cerca de 60% das exportações aos EUA em 2024 e movimentou aproximadamente US$ 240 milhões. Com as tarifas, empresas exportadoras de tilápia já registram queda de quase um terço nas exportações para os EUA. “A tilápia é perecível, e o excedente precisa ser escoado rapidamente no mercado interno, o que deve reduzir os preços nos próximos meses”, explica Marin. Dados do IPCA-15 de julho apontam uma queda de 2,03% nos preços dos pescados, refletindo o aumento da oferta interna. Outros produtos, como camarão e lagosta, também enfrentam pressão semelhante, conforme o especialista.
No entanto, a médio prazo, a redução nas exportações pode levar a cortes na produção. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados estima que cerca de 20 mil empregos estão em risco devido à diminuição da demanda externa. Marin alerta: “A incapacidade de encontrar novos mercados rapidamente pode forçar empresas a reduzir a produção, o que elevaria os preços no futuro”.
Frutas: oferta elevada pressiona preços
As frutas, como manga, uva e açaí, também sofrem com o tarifaço. Em 2024, o Brasil exportou mais de 1 milhão de toneladas de frutas, com os EUA absorvendo uma parcela significativa, incluindo 77 mil toneladas de manga e uva. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) projeta uma redução de até 90% nessas exportações. No Vale do São Francisco, responsável por mais de 90% das exportações de manga e uva, o preço da manga tommy caiu 4% entre 14 e 18 de julho, atingindo R$ 1,36 por quilo, e pode chegar a R$ 0,30 se o excedente não for absorvido.
“A oferta interna elevada deve beneficiar o consumidor com preços mais baixos no curto prazo, especialmente para manga e uva, que registraram queda de 4,28% no IPCA-15 de julho”, observa Marin. O açaí, por ser um produto mais voltado ao mercado interno, deve sofrer menos impacto. Contudo, a perecibilidade das frutas limita estratégias de estocagem, e produtores podem enfrentar prejuízos se os preços caírem excessivamente.
Foto: Divulgação / Freepik
Carne bovina: alívio temporário com incertezas
A carne bovina, com exportações de 532 mil toneladas para os EUA em 2024 (16,7% do total, equivalente a US$ 1,6 bilhão), enfrenta desafios significativos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima uma perda de até US$ 1 bilhão em receitas anuais. Entre 24 de junho e 21 de julho, o preço da carne no atacado caiu 7,8%, e a arroba do boi gordo recuou 7,5%, tendência que deve chegar ao varejo entre agosto e setembro.
“No curto prazo, o consumidor verá preços mais acessíveis, já que frigoríficos como JBS e Minerva estão redirecionando a produção para o mercado interno ou para outros países, como Chile e China”, diz Marin. No entanto, ele alerta que, se a demanda internacional não for recomposta, os frigoríficos podem reduzir os abates, o que elevaria os preços a médio prazo. O IPCA-15 de julho registrou uma queda de 0,36% nos preços das carnes.
Café: estabilidade com risco de queda
Diferentemente de outros produtos, o café apresentou alta de 6,8% nas cotações em Nova York entre 14 e 17 de julho, devido à expectativa das tarifas, impactando o mercado interno, onde o preço da saca de 60 quilos subiu de R$ 1.602 para R$ 1.803. O Brasil, maior exportador global, enviou quase US$ 2 bilhões em café para os EUA em 2024, representando 16,7% das exportações do produto. Apesar disso, Marin projeta que, se o volume destinado aos EUA não for absorvido por outros mercados, os estoques internos podem crescer, pressionando os preços para baixo. “O café moído já registrou queda de 0,36% no IPCA-15 de julho, mas o comportamento futuro dependerá da capacidade de redirecionar as exportações”, explica.
Perspectivas e estratégias
O governo brasileiro, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, busca novos mercados, como Angola, México, União Europeia e China, para mitigar os impactos do tarifaço. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, expressou otimismo sobre a possível isenção de tarifas para carne, café e pescados, destacando que 65% das exportações agrícolas já foram excluídas da taxação. Produtos como suco de laranja, petróleo e minério de ferro estão isentos, aliviando parte do setor agropecuário.
Marin enfatiza a necessidade de agilidade: “Redirecionar exportações exige tempo e adaptação a exigências sanitárias e logísticas de novos mercados. Enquanto isso, o consumidor brasileiro pode se beneficiar de preços mais baixos, mas deve se preparar para oscilações no segundo semestre e em 2026”. Ele destaca que a Tek Trade também está auxiliando empresas a explorar mercados alternativos, mas o processo é complexo e pode levar meses.
Um encontro que conecta e transforma milhares de mulheres do agronegócio. O Enmcoop – Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas já faz parte do calendário oficial de eventos do agronegócio e reúne mulheres que atuam em vários segmentos do agro, dentro e fora da porteira, como produtoras rurais, representantes de cooperativas agrícolas, empresas de insumos, máquinas e sementes, além de consultorias, escritórios de advocacia e muito mais.
Com o tema “A força das mulheres nas cooperativas: conectando realidades e potencializando resultados“, o Enmcoop 2025 acontecerá nos dias 2 e 3 de dezembro, em Itupeva (SP) e tem como objetivo promover reflexões práticas e inspiradoras sobre gestão, sucessão familiar, inovação tecnológica e desenvolvimento pessoal.
A abertura oficial será conduzida pela diretora-executiva do Grupo Conecta, Graziela Gonçalves, que reforça a importância do encontro para fortalecer o protagonismo feminino nas organizações cooperativistas. “As mulheres vêm ocupando espaços estratégicos dentro das cooperativas e mostram, a cada dia, que liderar com propósito é também impulsionar resultados. Estamos conectando realidades e formando uma nova geração de lideranças femininas”, afirma.
Já estão confirmadas na programação profissionais como Leandra Miglioranza, coordenadora do comitê Elas pelo Coop; Juliana Farah, Presidente da Comissão Semeadoras do Agro da FAESP; a jornalista e influenciadora Mônica Salgado, e Daniella Marques, CEO da Legend e ex-presidente da Caixa Econômica Federal.
No primeiro dia, as mulheres serão recebidas com experiências diferenciadas e, na sequência, participarão de palestras sobre os desafios e as oportunidades enfrentados pelas mulheres do campo, passando por temas como liderança com propósito, decisões financeiras sustentáveis, bem-estar no campo e o impacto da comunicação autêntica nas relações de trabalho.
Já o segundo dia ampliará os debates para temas estruturantes, como sucessão familiar, inovação, saúde mental e física, posicionamento de marca pessoal e a capacidade de reinvenção das mulheres frente aos desafios do agro. O evento promete superar as edições anteriores no que diz respeito a novas experiências, quando as mulheres foram surpreendidas em vários momentos.
Foto: Divulgação / Enmcoop / Comunicativas
A palestrante e conselheira de empresas do agro, Luciana Martins, diretora executiva do Grupo Conecta, ressalta que a transformação no campo vai muito além das estruturas que temos disponíveis hoje. “Estamos falando de uma mulher que lidera com alma. O futuro do agro será ainda mais forte à medida que essas lideranças femininas forem vistas, ouvidas e valorizadas”, diz ela.
O Enmcoop terá, ainda, um painel sobre inovação no campo, que vai destacar como as mulheres têm assumido o protagonismo nas transformações tecnológicas dentro das propriedades e cooperativas, incorporando soluções digitais e novas práticas de gestão. A psicóloga e mentora Fabiana Scaranzi encerra a programação com uma reflexão sobre liderança assertiva e o poder da comunicação no processo de reinvenção pessoal e profissional.
Além dos conteúdos técnicos e inspiracionais, o evento reserva momentos estratégicos para networking, com intervalos dedicados ao fortalecimento de redes de contato e troca de experiências entre cooperadas. A expectativa é reunir mulheres de diferentes regiões e setores, consolidando uma rede nacional de colaboração.
Diante do “tarifaço” norte-americano aplicado sobre as exportações brasileiras, o governo vem afirmando que a ampliação do comércio com outros parceiros pode ser uma solução. E a Índia surge, nesse cenário, como uma alternativa viável.
Em 2024, o comércio entre Brasil e Índia atingiu a marca de US$ 12 bilhões. A balança comercial, no entanto, apresentou um saldo deficitário para o Brasil, com as importações da Índia (US$ 6,8 bilhões) superando as exportações brasileiras (US$ 5,26 bilhões). Com isso, a Índia se consolidou como o sexto maior parceiro de importações do país. Ou seja, há espaço para o aumento de nossas exportações.
A pauta de produtos comercializados é diversificada e reflete a posição de cada país no mercado global. O Brasil exporta principalmente produtos primários, como petróleo bruto, açúcar, óleos vegetais, aviões e minério de cobre. Já a Índia envia ao Brasil uma variedade de produtos industrializados e químicos, como compostos organo-inorgânicos, óleos combustíveis, defensivos agrícolas (inseticidas, fungicidas, herbicidas) e medicamentos.
Essa dinâmica comercial demonstra uma relação crescente entre as duas nações, buscando uma cooperação estratégica mais ampla. E foi exatamente isso o que afirmou o H. E. Dinesh Bhatia, embaixador da Índia no Brasil, durante o evento de celebração dos 79 anos da Independência da Índia. Segundo ele, o comércio entre os dois países, que já é significativo, pode aumentar ainda mais.
História
Em 15 de agosto de 1947, a Índia foi declarada uma nação independente, encerrando mais de 200 anos de domínio colonial. Nesse dia, o então primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, hasteou a bandeira nacional sobre as muralhas do Forte Vermelho em Nova Délhi.
Uma nova metodologia desenvolvida pela Embrapa permite monitorar as pastagens no Brasil, e realizar estimativas bastante precisas da massa de forragem disponível para o gado. A inovação alia modelagem agrometeorológica e sensoriamento remoto, por meio de dados climáticos e imagens de satélite, para orientar práticas de manejo e apoiar a intensificação sustentável da produção de carne e leite no País.
A técnica foi aplicada em três diferentes sistemas de produção – extensivo, intensivo rotacionado e integração lavoura-pecuária (ILP) – na Fazenda Canchim da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). O modelo utilizado explicou mais de 67% da variação observada na massa de forragem disponível nos sistemas de produção, com destaque para o sistema extensivo, no qual a acurácia chegou a 86%, o que deixou os pesquisadores animados.
“Os resultados obtidos nos três tipos de sistemas de produção pecuária são promissores e demonstram a eficácia da metodologia em diferentes contextos”, relata o analista da Embrapa Meio Ambiente (SP) Gustavo Bayma. Ele explica que a abordagem utiliza um modelo chamado SAFER (Simple Algorithm for Evapotranspiration Retrieving) que integra dados do produto HLS (Harmonized Landsat Sentinel-2) da Agência Espacial americana, a Nasa, e da Agência Espacial Europeia, a ESA. Trata-se de uma coleção de dados de refletância de superfície da Terra dos satélites Landsat-8 e Sentinel-2. O modelo utiliza também dados de variáveis climáticas como radiação solar, temperatura, umidade e velocidade do vento, para simular o crescimento da forragem.
“O modelo SAFER tem pouca aplicação na área de pastagens. É mais utilizado em estudos sobre demanda hídrica. Nosso grupo é um dos pioneiros em aplicar o modelo no contexto das pastagens”, conta Bayma.
Um importante diferencial desse estudo é a sua aplicação simultânea da metodologia nos três sistemas de produção pecuária e na distinção entre dois componentes da forragem em campo: a matéria seca total (MST) e a matéria verde (MV). Essa diferenciação se mostrou essencial para melhorar a precisão das estimativas. Ao comparar os dados de matéria verde de campo e os estimados pelo modelo SAFER , os pesquisadores conseguiram gerar estimativas mais precisas.
“Enquanto a matéria seca total inclui material senescente e de baixa qualidade nutricional, a matéria verde está diretamente relacionada à produtividade do pasto e ao volume consumo pelos animais”, explica a pesquisadora Sandra Nogueira, coautora do estudo.
Sensoriamento remoto cada vez mais presente na agropecuária
Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Marcos Adami, o uso de satélites e tecnologias associadas está em rápida evolução e tende a ampliar ainda mais as possibilidades de monitoramento forrageiro. “Com sensores hiperespectrais, drones e inteligência artificial, poderemos prever variações nas pastagens com maior antecipação e acurácia”, explica. Segundo ele, essas inovações podem ser incorporadas a programas estratégicos como o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD).
A pesquisadora da Embrapa Patrícia Santos destaca que o desenvolvimento e a adoção de tecnologias de sensoriamento remoto representam um avanço significativo na gestão dos sistemas de produção pecuária, ao contribuírem para uma gestão mais precisa das áreas produtivas. “Essas tecnologias tornam possível identificar variações na quantidade de forragem ao longo do tempo, favorecendo decisões mais assertivas no planejamento forrageiro e no manejo sustentável”, afirma a cientista. Ela reforça ainda que os dados gerados podem orientar políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à recuperação de áreas produtivas, contribuindo para os objetivos da PNCPD.
Santos frisa que, em um cenário em que o Brasil busca aumentar a produtividade pecuária sem expandir a área de pastagem com manejo (estimadas em 113,2 milhões de hectares, dados do IBGE de 2020), ferramentas como essa podem desempenhar papel crucial. Dados da Embrapa, mostram que os sistemas integrados de produção já ocupavam 17,4 milhões de hectares em 2020 e a expectativa é alcançar 30 milhões até 2030.
Ao permitir o monitoramento contínuo das pastagens com maior precisão e em maior escala, a nova metodologia poderá ser estratégica para atender à crescente demanda global por alimentos sem comprometer os recursos naturais. “É uma contribuição concreta para a intensificação sustentável da pecuária brasileira”, conclui Bayma.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expansão das áreas de pastagens com manejo entre 2000 e 2020, foi de 27,9%, um incremento de 247 mil km² ou 24.7 milhões de hectares. Dados levantados pela Embrapa indicam que o Brasil possui 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para expansão agrícola.
O Governo Federal anunciou a medida provisória (MP) que reúne medidas de apoio às empresas, aos exportadores e trabalhadores afetados pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos contra os produtos brasileiros. Chamada de Plano Brasil Soberano, a MP foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
De acordo com a Presidência da República, o plano tem três eixos:
fortalecimento do setor produtivo
proteção aos trabalhadores
diplomacia comercial e multilateralismo
Entre as principais medidas previstas estão linhas de crédito. Apenas do Fundo Garantidor de Exportações serão R$ 30 bilhões, conforme anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos serão usados como funding para a concessão de crédito com taxas acessíveis e, também, para ampliar as linhas de financiamento às exportações.
A MP define quem terá prioridade para a obter os créditos. Empresas mais afetadas terão preferência, levando em conta a dependência do faturamento em relação às exportações para os EUA; tipo de produto; e o porte de empresa. No caso das pequenas e médias empresas, elas também poderão recorrer a fundos garantidores para acessar o crédito.
O governo ressalta que o acesso às linhas estará condicionado à manutenção dos empregos. Estão previstos, também, aportes de R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores; e R$ 5 bilhões em crédito pelo novo Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Novo Reintegra).
CNI
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, a crise gera oportunidades. “Toda crise gera desafios, e todo desafio gera oportunidades. E a gente tem de olhar esse desafio e essa oportunidade sob o prisma do copo meio-cheio. Esse é o nosso objetivo”, destacou Alban. “Para isso, a nossa CNI, o setor produtivo, as instituições do setor produtivo das indústrias, nós estamos aderindo a esse processo de defesa dos interesses da indústria, do comércio e da economia brasileira”, acrescentou.
Dados da Embrapa, de outubro de 2024, indicam que o Brasil aumentou a quantidade de áreas de lavoura irrigadas nos últimos anos. Enquanto em 2022, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apontou que havia 1,92 milhão de hectares irrigados por pivôs centrais, em 2024 esse número passou para 2,2 milhões de hectares, um aumento de 14,58%. Apesar disso, o Brasil possui apenas 2,6% do total de áreas irrigadas em relação ao percentual global.
Ao todo, considerando outros tipos de irrigações, como como o uso de gotejamento, inundação e aspersão convencional, o país chega a 9,2 milhões de hectares. A área é menor que as áreas irrigadas do Irã e Paquistão, três vezes menor que a dos Estados Unidos e oito vezes menor que as áreas irrigadas da China e Índia.
Por conta desses números, especialistas enxergam que há grande potencial para o avanço da irrigação. As mudanças climáticas se tornaram um fator importante para o desenvolvimento dessa atividade. “Produtores em muitos locais do país têm sofrido com a falta de regularidade e a má distribuição de chuvas, com longos períodos de estiagem, especialmente por conta das mudanças climáticas. Com isso, a irrigação se apresenta como uma oportunidade para evitar perdas de safra e até mesmo ampliar a produtividade”, destaca Juan Latorre, gerente comercial sul da Lindsay, líder mundial em tecnologia para irrigação no agronegócio.
Segundo ele, projetos de irrigação bem desenvolvidos podem aumentar a produtividade ultrapassando uma média de 30% e permitem que os produtores possam realizar até três safras ao ano. A irrigação é feita em especial para culturas de grãos, mas tem se expandido cada vez mais para outras culturas como as de cana, café, citrus e hortifrutis, entre outros.
“A irrigação não consegue mitigar todos os problemas climáticos, mas amplia a segurança e funciona como uma espécie de seguro para o produtor rural quando a chuva não vem. Os projetos de irrigação bem estruturados também ampliam a produtividade das terras, podendo chegar de duas a três safras na mesma área. Isso colabora para diminuir a abertura de novas áreas e para promover um melhor uso dos recursos hídricos”, afirma Priscila Sleutjes, engenheira agrônoma, produtora rural e diretora da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).
A utilização dos chamados pivôs centrais se torna estratégica para que a irrigação se torne mais sustentável, já que muitos desses equipamentos possuem tecnologias especializadas para a utilização racional da água e para evitar o desperdício. A Lindsay lançou há alguns anos as tecnologias FieldNet e FieldNet Advisor, que oferecem todas as funcionalidades e informações em uma só plataforma. De forma remota, é possível ligar e desligar o sistema, controlar a quantidade de água para cada ângulo do pivô e criar planos ou automações para o funcionamento do equipamento. “Além disso, é possível integrar ao equipamento os dados da estação meteorológica e das sondas de umidade, que oferecem ainda mais informações relevantes para a irrigação. A junção das duas tecnologias proporciona orientação e informações completas para que o produtor tome as melhores decisões”, afirma Rodrigo Bernardi, especialista de tecnologia da Lindsay, que também reforça a importância da tecnologia para a sustentabilidade.
Foto: Divulgação / Lindsay
“Quando falamos de irrigação é preciso lembrar que é preciso sempre colocar a quantidade de água correta para a planta ter um bom desenvolvimento e atingir boas produtividades, já que tanto o momento quanto o excesso ou falta de água são prejudiciais para a lavoura. Com a automatização, o produtor tem as informações traduzidas para tomar as ações corretas e pode evitar falhas. Isso traz economia de água e de energia, tornando o cultivo mais sustentável e trazendo uma redução de custos para o produtor, já que ele pode produzir mais com menos recursos”, destaca o especialista.
Rodrigo cita que a água segue um ciclo, em que ela é utilizada na irrigação, passa pelo processo de evatotranspiração e volta para o lençol freático. “Apenas de 5 a 10% da água utilizada é absorvida pela planta. Entre 90 e 95% da água segue seu fluxo normal e volta para o sistema. Por isso esse controle dos recursos hídricos é tão importante”, frisa ele.
Os especialistas destacam que a venda de um projeto de irrigação funciona de maneira diferente a uma máquina ou implemento, uma vez que é preciso considerar diversos aspectos e é preciso customizar um projeto para cada cliente.
“Eles levam em consideração o tipo de cultura, topografia, solo, condições climáticas, disponibilidade de energia e outorgas para o uso de água, questões de infraestrutura, tempo de maturação do projeto, capital investido, acesso ao crédito, entre muitos outros fatores. Por isso, existe um trabalho de aproximação e de conscientização dos produtores sobre a importância desse investimento. Buscamos mostrar a eles que um bom projeto, com a ajuda de especialistas qualificados, pode trazer grandes benefícios para o produtor”, afirma Cristiano Trevizam, diretor comercial da Lindsay.
Segundo ele, os investimentos feitos em um projeto de irrigação podem ser recuperados, em média, em três anos. O executivo ainda explica que a utilização da irrigação ainda traz uma valorização ao próprio preço da terra para o produtor, sendo mais produtivo investir em irrigação do que comprar novas terras.
Cristiano ainda ressalta a importância para o desenvolvimento da economia local. “Com uma produção rural mais eficiente, a irrigação contribui para o desenvolvimento econômico e social de diversas regiões, gerando trabalho e renda para populações locais em áreas distantes dos grandes centros”, ressalta ele.
A importância dos investimentos para a competitividade do agro, a formação de parcerias estratégicas e a maior articulação institucional foram os temas centrais dos debatedores do painel “Alimentos, Energia e Inovação”, durante o 24º Congresso Brasileiro do Agronegócio, uma realização da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG),em parceria com a B3 – a bolsa do Brasil, que aconteceu nesta segunda-feira (11/08), em São Paulo (SP).
De acordo com Marcio Santos, CEO da Bayer Brasil, o agro foi uma construção muito positiva, com investimentos contínuos em inovação, que permitiram, por exemplo, o país ter uma segunda safra produtiva e sustentável. “Se o cenário externo se resolvesse hoje, nós estaríamos preparados para atender o mercado global? Será que o construímos ao longo dessas décadas, ainda estamos mantendo? Essas perguntas são fundamentais porque temos que acreditar que podemos manter nossa trajetória de crescimento”, explicou.
Para ele, a COP30 será uma oportunidade e um marco para reposicionar o país. “Esse evento pode abrir caminhos para dialogar com nossos e novos parceiros”, pontuou. Ele alertou para entraves internos à competitividade do Brasil: “Na minha opinião, falta ambiente institucional para sermos mais competitivos. Deixo aqui uma reflexão sobre o que já construímos nestes últimos 50 anos e como vamos pensar os próximos anos e esta trajetória do agro”.
Alfredo Miguel,diretor LATAM da John Deere, destacou o papel da diplomacia, que precisa estar presente sempre, mas focada na realidade e nos desafios para discutir as soluções. Por outro lado, o setor privado vai precisar se reorganizar em termos de custos, cadeia de fornecedores e exportação para se manter competitivo. “É importante que o governo tenha um plano de curto e médio prazo para seguirmos competitivos juntos. O agro precisa liderar o Brasil com ciência, tecnologia e inovação para continuarmos nessa crescente expansão do setor”, afirmou Miguel.
A diversificação é a base da resiliência, segundo Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS. “Reconhecemos que o ciclo das commodities existe, e que os problemas geopolíticos e econômicos vêm e vão. Manter-se diversificado usando a inovação é a saída para manter a empresa crescendo em momentos difíceis. Com base nesta estratégia conseguimos realocar investimentos”, explicou.
Durante o painel moderado pelo jornalista William Waack, Larissa Wachholz, Senior Fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), alertou para o desconforto crescente da China com a dependência de exportações do Brasil e dos EUA. Segundo ela, os chineses já estão em busca ativa de diversificação de fornecedores. Wachholz defendeu uma abordagem mais pragmática e aberta do Brasil nas parcerias internacionais, sem alinhamentos automáticos. “Precisamos pensar em nossas dependências como país — seja em fertilizantes ou outros insumos — e nos beneficiar da inovação e diversidade dos parceiros, sem privilegiar um ou outro. É preciso desenvolver novos mercados e não vender barato. Olhar para o mundo, entender suas necessidades e complementar um ao outro”, analisou.
O primeiro levantamento DATAGRO Grãos de Intenção de Plantio para 2025/26 indica que o Brasil deverá ampliar pelo 19º ano consecutivo sua área de cultivo de soja. A área projetada é de 49,1 mi de ha a serem semeados, incremento de 2% sobre os 48,1 mi de ha de 2024/25. Considerando condições climáticas relativamente positivas, ainda que com alguma instabilidade localizada, e manutenção do nível tecnológico, a DATAGRO estima uma produtividade média nacional de 3.722 kg/ha. Caso confirmado, este rendimento superaria em 3% ao recorde de 3.614 kg do ciclo atual. Como resultado, temos potencial produtivo de 182,9 mi de t de soja, 5% a mais do que as 173,5 mi de t da safra deste ano.
Apesar do aumento nos custos de produção e da expectativa de mercado ainda conservador para o próximo ano, a obtenção de renda fortemente positiva em 2025, o melhor sentimento para o clima, a consolidação do binômio soja na safra de verão x milho/algodão/trigo na safra de inverno deve prevalecer. Há expectativa de que a soja avance principalmente sobre áreas de pastagens degradadas.
Milho
Para o milho, a estimativa inicial da DATAGRO aponta avanço nas áreas cultivadas tanto na safra de verão quanto na de inverno. O incentivo vem da elevação nos preços frente ao ano anterior, especialmente nos primeiros meses de 2025, a obtenção de renda dominantemente positiva, e forte incremento da demanda doméstica.
A área da 1ª safra está projetada em 4,0 mi de ha, crescimento de 4% frente aos 3,8 mi de ha cultivados em 2024/25, sendo 2,6 mi de ha no Centro-Sul e 1,4 mi de ha no Norte/Nordeste. Projeta-se produtividade média de 6.855 kg/ha, 3% acima da exibida em 2024/25, 6.646kg/ha. Com isso, a produção tem potencial para alcançar 27,4 mi de t, 8% acima das 25,4 mi de t colhidas na safra deste ano.
Já para o milho de inverno, responsável por mais de 80% da produção nacional, as projeções preliminares indicam também expansão de área. Estima-se que a segunda safra ocupe 18,6 mi de ha, 2% acima dos 18,2 mi de ha de 2024/25 e extensão recorde. Enquanto o avanço de área do Centro-Sul corresponde também a 2%, atingindo 15,4 mi de ha neste ciclo (ante 15 mi de ha em 2024/25), espera-se um crescimento inferior à 2% na zona de cultivo de milho no Norte/Nordeste, com 3,3 mi de ha a serem semeados (ante 2,2 mi de ha em 2024/25).
Preliminarmente, projeta-se produtividade média de 6.096kg/ha para a safrinha, o que resulta em um potencial produtivo de 113,5 mi de t, 1% acima das 112,3 mi de t calculadas pela DATAGRO para a temporada atual. Assim, espera-se um volume de 140,9 mi de t para as duas lavouras, 2% superior ao volume de 2024/25, renovando o recorde histórico do cereal no país.
O anúncio do tarifaço de até 50% sobre produtos brasileiros, feito pelos Estados Unidos nas últimas semanas, provocou reações imediatas em diversos setores do agronegócio. Embora o suco de laranja tenha ficado de fora da lista final, o sinal amarelo está aceso. A tensão comercial evidencia uma vulnerabilidade já conhecida: a dependência do Brasil de mercados externos e a oscilação nos acordos internacionais.
Além das possíveis barreiras tarifárias, os produtores rurais brasileiros ainda convivem com fatores como variação cambial, custos de insumos dolarizados, mudanças climáticas e pragas agrícolas. O cenário não é bom, quem não estiver preparado financeiramente pode ter dificuldades para atravessar o período.
Para Romário Alves, CEO da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, o momento é de reforçar a importância da inteligência financeira nas propriedades. “O produtor rural precisa entender que o mercado é cíclico e volátil. Situações como essas mostram que a margem de segurança financeira faz toda a diferença. Quem não tem controle do fluxo de caixa ou acesso a crédito bem estruturado fica mais exposto a qualquer mudança repentina no cenário global”, afirma.
Gestão estratégica como escudo
Segundo dados da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o Brasil pode perder cerca de US$ 5,8 bilhões em vendas para o país americano. Romário destaca que, mais do que acompanhar as notícias, os produtores devem buscar ferramentas que os ajudem a tomar decisões com base em dados e planejamento. “Hoje é possível simular safras, travar custos, antecipar riscos e organizar a parte financeira com a mesma seriedade com que se cuida da produção no campo. Esse é o caminho para proteger o negócio e aproveitar oportunidades mesmo em momentos de crise”, reforça o CEO da Sonhagro.
Com as cadeias produtivas cada vez mais globalizadas, a profissionalização da gestão rural deixou de ser tendência para se tornar necessidade. Em um ambiente onde decisões tomadas em Washington impactam lavouras brasileiras, estar preparado financeiramente não é mais uma vantagem é uma questão de sobrevivência.