O novo Plano Clima do Governo Federal, uma proposta de política pública para combater as mudanças climáticas, tem sido alvo de fortes críticas do agronegócio, que acusa o documento de concentrar a responsabilidade de redução de emissões no setor. A preocupação é que essa abordagem possa fragilizar a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional, que já está cada vez mais atento às emissões de carbono na produção de alimentos.
O agro como vilão ambiental
O cerne da controvérsia está na forma como o Plano Clima distribui a responsabilidade pelo corte de emissões de gases de efeito estufa. Segundo a proposta, o setor de agricultura e pecuária deveria responder pela maior parte da redução das emissões brasileiras na próxima década. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) contesta a medida, alegando que o plano desconsidera os avanços e as práticas de sustentabilidade já adotadas pelo setor, como o uso de bioinsumos e a integração lavoura-pecuária-floresta. Eles argumentam que a metodologia de cálculo usada no plano superestima as emissões do agronegócio e ignora a capacidade de remoção de carbono das áreas de preservação em propriedades rurais.
Para o setor, ao atribuir a maior carga ao agronegócio, o Plano Clima o posiciona como o “vilão” ambiental, enquanto outros setores da economia, como energia e transportes, teriam margem para aumentar suas emissões.
Alerta sobre barreiras comerciais
A principal preocupação dos produtores rurais é o impacto dessas metas na exportação. À medida que países e blocos econômicos, como a União Europeia, adotam regulamentações mais rígidas relacionadas ao meio ambiente, a atribuição de uma grande carga de emissões ao agronegócio brasileiro pode se traduzir em barreiras comerciais. Essa situação poderia prejudicar a imagem do Brasil no exterior e a sua capacidade de competir com outros mercados.
O agronegócio defende que, para o país cumprir suas metas climáticas, a estratégia deve ser mais equilibrada e transparente. A ideia é que haja o reconhecimento dos esforços já realizados e que os planos setoriais sejam elaborados com a participação ativa de todos os envolvidos, incluindo os produtores, para evitar que o Brasil pague um preço alto no mercado internacional.
