Governo Trump pode criar oportunidades para o agronegócio brasileiro, afirma especialista

Uma perspectiva otimista para o agronegócio brasileiro diante da política econômica de Donald Trump, chamada de Trump Economics, foi apresentada pelo professor Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e docente da FGV. A análise foi feita durante um webinar promovido pela consultoria sobre as expectativas econômicas atuais.

Segundo Oliveira, o aumento do protecionismo dos Estados Unidos contra outros países, especialmente em relação à China, pode criar uma oportunidade única para o Brasil. A expectativa é que uma escalada protecionista possa resultar em retaliações por parte da China, elevando as tarifas de importação de produtos agrícolas norte-americanos, como soja e milho. Esses produtos, nos quais Brasil e Estados Unidos competem diretamente, poderiam ver uma mudança de fluxo comercial, beneficiando os produtores brasileiros.

“Se a China decide elevar as tarifas sobre a soja e o milho americanos, isso abre uma janela de oportunidade para o Brasil aumentar suas exportações desses produtos para o mercado chinês. Além disso, o mesmo cenário pode se repetir em outros setores agrícolas, como o de carnes”, explica Oliveira. Segundo ele, a guerra comercial entre Estados Unidos e China, intensificada pelas políticas protecionistas de Trump, pode acabar favorecendo o Brasil em nichos específicos do agronegócio.

Outro ponto levantado pelo economista foi a tendência de desregulamentação esperada com o retorno de Trump, especialmente nas áreas ambiental e antitruste. Durante o governo Biden, houve um aumento na rigidez das regulamentações antitruste, com maior controle sobre fusões e aquisições. Contudo, Gesner Oliveira acredita que, sob a presidência de Trump, deve ocorrer uma flexibilização dessas regras. “A expectativa é de mudanças na liderança da Federal Trade Commission e na divisão antitruste do Departamento de Justiça, adotando uma postura mais liberal e menos intervencionista”, afirma.

Essa possível flexibilização, segundo Oliveira, pode ter impactos diretos no mercado brasileiro, influenciando decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Os Estados Unidos têm uma influência considerável nas práticas de antitruste em todo o mundo, incluindo o Brasil. Portanto, é plausível que o Cade adote uma postura mais leniente em relação a fusões e aquisições nos próximos anos”, finaliza o professor.

As análises apresentadas durante o webinar indicam que, apesar das incertezas associadas às políticas de Trump, o Brasil pode encontrar oportunidades para expandir sua participação no mercado internacional, especialmente no setor agrícola.

Foto: Reprodução / IA

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